Poemas
Adeus menino de Sampa - Carlos Said - 09Mai2008
Um aglomerado de gente aquela hora da manhã, não era normal, tampouco a viatura policial estacionada próxima...aproximei-me, afastei as pessoas á frente para saciar minha curiosidade. Para ver maltrapilho e maltratado, um corpo inerte, exangue, anoitecido. Como se o sono o houvesse apanhado em meio aquela poça de sangue, que já não circula em suas veias, força esvaída, delatando sua pobreza eloqüente, e nossa miserável condição humana. Na camisa aberta ao peito, a feia ferida por onde sua vida se esvaira...era um jovem de rua, um homem sem passado, cujo futuro se expunha no chão. Diziam as pessoas, que fora briga por drogas, domínios que o estado oculta mas não justifica, um golpe único e fatal . Lembrei do menino de Sampa que vira anos antes dormindo, num sofá abandonado na rua, e agora naquele ser que havia morrido sem viver, um jovem homem que jamais fora menino. Ruía minha cidade aos pés do jovem, haveriam de lhe dar uma cova rasa, sem nome ou identificação, era a paga por nascer condenado a vida, negado lhe fora carinho e educação, amor e compaixão. Sepultado será sob os escombros desta cidade, e nem lembrança terá, se não de um incidente rotineiro na manhã desta quinta feira de Sampa. Os sinos do relógio da Igreja da Consolação, toca a meia hora que vai compor oito horas desta manhã...sigo minha rotina...deixando no caminho o cadáver do jovem que havia sido ... um dia o menino de Sampa.Carlos Said
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=36863
Sonha-me - PauloAlves - 09Mai2008
Toca-me,Teus dedos curam-me
As feridas da alma...
Olha-me,
Teus olhos, duas luas
Que me conduzem à calma...
Beija-me,
Teus lábios, a minha fonte,
Onde sacio a minha sede...
Ama-me,
Teu corpo, meu navio de sonhos,
Onde navego em carnais desejos...
Por fim...
Sonha-me,
Pois em sonhos ver-me-ás como sou realmente
Na real fantasia de ser poeta, ou Homem comum...
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=36862
o epílogo - r.n.rodrigues - 09Mai2008
o epílogoAqui sacrifiquei a beleza
pintei a realidade crua e nua
Quem quiser viver que viva
mas ainda sonhei sonharei
pela última poesia.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=36861
Portinho - r.n.rodrigues - 09Mai2008
PortinhoDesapareceu da face
da terra
Hoje resta apenas
lembranças
de muitas mortes.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=36860
DEPOIS DO FIM DO AMOR - Karla Bardanza - 09Mai2008

Amor,
Lamento o fim.Lamento cada vez que destruístes o meu jardim...Sim, quantas vezes o replantei na simples esperança que pudesses regá-lo comigo...Nunca fostes capaz de entender o meu cíume, a minha insegurança, os meus apelos, o meu mundo...Nunca.Nunca nem te interessastes por minhas músicas, meus poetas e poetisas preferidos,meus desejos...Sabes tão pouco de mim...
Agora que só há ruínas e escombros, vejo que construí um castelo em areia.Lamento cada vez que não fui eu mesma para te agradar.Lamento até por ainda te amar...Dói demais te deixar ainda com meu coração tão apaixonado...Estou ainda sofrendo,estou tentando não voltar atrás, não pegar o telefone e pedir para você voltar.Sei que não devo e não posso.Seria repetir os mesmos erros, seria puxar o gatilho e me matar.E já me matastes tanto com tua ausência e descaso, com tua falta de atenção e romantismo,com tuas palavras cruéis.
É, foram-se os anéis e a aliança, ficam os dedos nus, vazios, medrosos, frios...Nada anseio salvo o tempo passar e, definitivamente, te enterrar dentro de mim...Esquecer, apenas esquecer.
Há um silêncio estranho no meu peito,um medo talvez.Não sei se quero recomeçar.Talvez apenas viver sem teus belos olhos, sem tua companhia...Melhor assim,chega de sofrer pelo que não posso mudar...Não posso te recriar, mudar esse teu jeito incerto de ser, fazer você me amar como quero e preciso...Nem sei se algum dia me amastes...Nem sei...É...O fim abre espaço para um início...Caminho sem pressa...
Caminho olhando para a saudade, dilacerada por dentro...Sofrendo por ter ido...Quem sabe sem o meu amor amigo possas ,realmente, aprender a me amar?Quem sabe possas crescer, possas, sei lá, mudar, mudar?Quem sabe...
Te deixo meus sonhos e uma lágrima eterna.Te deixo meu coração em dor...Em minhas mãos, apenas uma flor...Apenas uma flor...Adeus, Meu Amor.Aceito o destino, aceito, aceito.
karla Bardanza
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o canto - r.n.rodrigues - 09Mai2008
o cantoO canto desse canto
é canto forte e maduro
Nele há distinção
Sapateiro Davi
conserta sapatos não a vida
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=36858
vermelho. - Fleur - 09Mai2008
o tango sempre me soou diferente na tua ausência.a música misturada com a solidão faz-me imaginar outros homens, deixas de ter o valor de “eu amo-te” e passas a parecer-me indiferente.
e eu quero, desejo e peço um novo olhar, um novo corpo, o quente da paixão dos outros homens, quando te tenho a ti, mesmo distante.
rio-me, rio-me alto porque tu não sabes, nem vais saber, como me apetece sentir o vermelho da traição na pele, fazer-te ver-me feliz, quando pensas que é por ti e não é.
desconheces a quantidade de vezes que mordo os lábios e sinto uma satisfação quente ao cimo das pernas, quando faço amor contigo e penso nos outros, na voz dos outros, no cheiro, na pele, no olhar.
quando te olho daquela maneira a que chamas “sexy”, nem supões os meus pensamentos, não sabes do que sou capaz, acreditas em toda a ingenuidade do meu eu ao ser-te digna.
minto no olhar e em todos os gestos. reconheço o cheiro a perfume que trazes para casa quando chegas à noite, exausto, os restos de baton que ficam nos teus lábios e que são o motivo por não te querer beijar, as mensagens que recebes e eu leio, todas as noites.
mentes-me e eu minto-te mais porque não te dou provas.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=36857



