POEMA DE NATAL | 04Dez2007 22:56:00
Fiquemos tristes
Por um instante,
Fiquemos graves
Como as estampas do silêncio.
Tenhamos braços grandes
De acolher imensidões de sonhos
E dedos mornos, frágeis,
Para tocar, solenes,
As feridas que cavamos.
Fiquemos mudos
Por um momento,
Fiquemos quedos
Como os vultos absurdos
Dos segredos.
Tenhamos rostos inverossímeis,
E olhos rasos,
Para fitar em todo o seu comprimento
A estrada de pó e nada
De onde viemos.
Tenhamos pés descalços
Para pisar de leve
A vida que renasce,
Alheia à nossa sorte,
Além da nossa sede
De dor e morte.
Fiquemos quietos
Por essa noite.
Atentos, fiquemos tensos.
Pode ser que aqui
À nossa frente
Surja a esperança
Em suas vestes de céu,
Em sua mais emocionante expressão.
Pode ser que testemunhemos
Surgir, num arrulhar de asas
Do véu da noite, do breu,
Menino-Deus,
Sobrevoando como anjo
As nossas almas.














