Alzheimer...O desespero de quem ama | 05Mar2007 00:00:00

Olhem para nós, aqui isolados sem réstia de esperança.
Não, não é possível que a minha querida amada tenha chegado a este estado, eu sinto-me completamente impotente. Ela já nem sente o meu carinho, o meu rosto perdeu-se na sua mente, numa qualquer imagem ilusória.
Sinto-me cansado, a noite passou a ser dia, grito sozinho em busca de uma resposta qualquer, de uma palavra de aconchego. Mas ninguém nos ouve, o meu apelo ficou à deriva dentro de uma garrafa de vidro, balançando nas fragas do mar, sem destino.
Meu amor perdoa-me esta forma como acabei com as nossas vidas, mas não suportava mais ver-te nessa degradação perante o meu sofrimento silenciado de impossança. Agora sinto que ficaremos juntos para sempre.
Nem sabes como chorei, as lágrimas que levo connosco.
Não sei se lhe chamarei acto de loucura ou eutanásia brutal, a dor já era insuportável, leva-nos aos maiores actos de amência. Sei que irão dizer que estava louco, mas o que ninguém entendeu é que nos fora negada aquela palavra amiga, apoio, estávamos entregues à nossa própria sorte.
Como compreendo este acontecimento!
Quando ouvimos, (eu compreendo a sua situação mas não podemos fazer nada de momento), quando choramos desesperadamente e ninguém repara, sequer na nossa dor nas nossas lágrimas. Quando ouvimos vezes sem conta a palavra não e todas as portas se fecham.
Deixo aqui os meus sentidos pêsames e a minha profunda homenagem ao senhor Manuel Santana e à sua esposa Olívia Nunes.
Também quero deixar aqui uma palavra de conforto a quem vive este drama, provocado por uma doença qualquer.
Tenham força, não desistam agarrem-se com força a tudo, a esse tudo que por vezes não reparamos no meio do desespero. Vamos insistir na vida, no amor, lutar até ao fim para minimizar o sofrimento. Sei que não é nada fácil mas vale apena lutar por quem amamos...
Mesmo que ninguém ousa o nosso desespero, não vamos deixar que nos tratem como coitadinhos mas por pessoas que sabem amar incondicionalmente, mesmo quando o resto dos prepotentes nos ignoram,
e os imbecis nos rejeitem.
Sei do que falo, cuido da minha mãe doente de AVC.
Conceição Bernardino
Não, não é possível que a minha querida amada tenha chegado a este estado, eu sinto-me completamente impotente. Ela já nem sente o meu carinho, o meu rosto perdeu-se na sua mente, numa qualquer imagem ilusória.
Sinto-me cansado, a noite passou a ser dia, grito sozinho em busca de uma resposta qualquer, de uma palavra de aconchego. Mas ninguém nos ouve, o meu apelo ficou à deriva dentro de uma garrafa de vidro, balançando nas fragas do mar, sem destino.
Meu amor perdoa-me esta forma como acabei com as nossas vidas, mas não suportava mais ver-te nessa degradação perante o meu sofrimento silenciado de impossança. Agora sinto que ficaremos juntos para sempre.
Nem sabes como chorei, as lágrimas que levo connosco.
Não sei se lhe chamarei acto de loucura ou eutanásia brutal, a dor já era insuportável, leva-nos aos maiores actos de amência. Sei que irão dizer que estava louco, mas o que ninguém entendeu é que nos fora negada aquela palavra amiga, apoio, estávamos entregues à nossa própria sorte.
Como compreendo este acontecimento!
Quando ouvimos, (eu compreendo a sua situação mas não podemos fazer nada de momento), quando choramos desesperadamente e ninguém repara, sequer na nossa dor nas nossas lágrimas. Quando ouvimos vezes sem conta a palavra não e todas as portas se fecham.
Deixo aqui os meus sentidos pêsames e a minha profunda homenagem ao senhor Manuel Santana e à sua esposa Olívia Nunes.
Também quero deixar aqui uma palavra de conforto a quem vive este drama, provocado por uma doença qualquer.
Tenham força, não desistam agarrem-se com força a tudo, a esse tudo que por vezes não reparamos no meio do desespero. Vamos insistir na vida, no amor, lutar até ao fim para minimizar o sofrimento. Sei que não é nada fácil mas vale apena lutar por quem amamos...
Mesmo que ninguém ousa o nosso desespero, não vamos deixar que nos tratem como coitadinhos mas por pessoas que sabem amar incondicionalmente, mesmo quando o resto dos prepotentes nos ignoram,
e os imbecis nos rejeitem.
Sei do que falo, cuido da minha mãe doente de AVC.
Conceição Bernardino
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