Um olhar de luto | 30Jan2007 00:00:00
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Clara era uma criança de olhar vazio. Passava horas sentada na praia, olhando o mar, ninguém sabia porque ficara ali Clara.
Sempre tão só, parecia que nada mais existia para além da imensidão daquele manto azul.
Chamavam-lhe, a menina do mar, seu corpo era frágil, como um cântaro de água, podia quebrar-se a qualquer momento.
Era absorta, pálida, dolente, escondia-se do mundo...dentro das suas próprias palavras. Só o mar sabia ouvi-la, era seu confidente.
Não sorria, não galhofava, tinha um olhar de luto, um negro cerrado, algo a distinguia entre a impetuosidade e a alacridade.
Seguia sempre o caminho que afastava de tudo para não ter que se cruzar com a temperança. Todos os caminhos eram bem-vindos, para a fazerem esquecer que ainda era uma criança.
Ela voltava sempre ao mesmo sítio, era lá que se sentia em casa. Areia fina cruzava-se entre o dedos fazendo-a sentir a sensatez do poder infinito, que carregava nas suas mãos delicadas. O cheiro a maresia perfumava-lhe os sentidos com a musicalidade que o oceano soltava em pautas de liberdade.
Clara era uma criança tão bela como tantas outras. Apenas era invisual e por assim ser, rejeitava a piedade da visão prematura dos que não são cegos, mas nada conseguem ver...
Conceição Bernardino
Testemunho da vida real (nome fictício)
Sempre tão só, parecia que nada mais existia para além da imensidão daquele manto azul.
Chamavam-lhe, a menina do mar, seu corpo era frágil, como um cântaro de água, podia quebrar-se a qualquer momento.
Era absorta, pálida, dolente, escondia-se do mundo...dentro das suas próprias palavras. Só o mar sabia ouvi-la, era seu confidente.
Não sorria, não galhofava, tinha um olhar de luto, um negro cerrado, algo a distinguia entre a impetuosidade e a alacridade.
Seguia sempre o caminho que afastava de tudo para não ter que se cruzar com a temperança. Todos os caminhos eram bem-vindos, para a fazerem esquecer que ainda era uma criança.
Ela voltava sempre ao mesmo sítio, era lá que se sentia em casa. Areia fina cruzava-se entre o dedos fazendo-a sentir a sensatez do poder infinito, que carregava nas suas mãos delicadas. O cheiro a maresia perfumava-lhe os sentidos com a musicalidade que o oceano soltava em pautas de liberdade.
Clara era uma criança tão bela como tantas outras. Apenas era invisual e por assim ser, rejeitava a piedade da visão prematura dos que não são cegos, mas nada conseguem ver...
Conceição Bernardino
Testemunho da vida real (nome fictício)
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