Planícies da morte | 28Fev2007 00:00:00
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Vi aqueles meninos cercados de uma febril dolência, cobertos de moscas imundas. As costelas uniformes, salientes, sobre a pele desidratada, carcomida pelo sol abrasador que queima a secura de um povo, espalhado entre os cadáveres e as fendas inférteis da terra.Aloja-se a nudez, as barrigas avolumadas na crueldade da fome, respiram o cheiro pestilento que a morte sobeja no horripilante.
Não consigo sequer descrever, meu olhar paralisou, tudo o que a minha mente sentia.
Olhei à minha volta, eram milhares que em silêncio pediam-me apenas um sorriso, uma réstia de qualquer coisa.
Nesse preciso momento, implorei!
Onde estás Deus?
Porque deixas que o egotismo dos homens tire proveito das planícies extensas da miséria?
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Testemunho de vida | 26Fev2007 00:00:00
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Era uma pessoa com uma vida igual a tantas outras, cuidava da casa, dos netos e dos seus afazeres diários. A robustez da sua força era sumptuosa; tinha sempre a bondade presente no olhar que um dia sucumbiu, traído por um acidente cardiovascular cerebral (AVC).
Perdera a noção, a realidade de tudo, chegou a vegetar entre a porta aberta da vida.
Esteve quase três meses hospitalizada com alterações indefinidas de estados psicológicos, perdera tudo. O tudo que qualquer um de nós se nega em reparar, a valorizar a cada dia que passa, por vezes nem nos damos conta como são tão importantes, estes pequenos actos que nos fazem levitar o preconceito da insatisfação pessoal que nos vai tornando cegos a tempo inteiro.
Ela deixou de falar, andar, de comer, desaprendeu tudo até mesmo chorar.
Hoje passados três anos desse dia fatídico, ela tem 72 anos e quando acorda de manhã todos os dias, diz-me:
- Filha estou tão feliz aqui contigo, sou mesmo feliz!
Estas são as palavras da minha querida mãe.
Não quero com estas palavras que sintam piedade da minha dor, não!
Eu aprendi com ela a crescer, a lutar por uma vida que por vezes nem reparamos que ela existe.
Hoje eu sou, o suporte que ela precisa para caminhar, ela a força que contínua a lutar com alegria, pela vida todos os dias.
A mensagem que quero passar, é esta:
Deixem que a vida corra, não passem a vida a correr...
Quando pensamos que o sofrimento nos mata, por vezes está a ensinar-nos a dar mais valor ao sentido, ao verbo viver.
Isto não é ficção, é um caso verídico entre muitos, que estão presentes em algures, mesmo ao nosso lado. Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (32)
Euclides Cavaco | 25Fev2007 21:43:00
Escrito por: Euclides Cavaco

Faço poesia na vida
Mas procuro em cada dia
Como rima preferida
Fazer da vida poesia... Ler mais | Comentários (1) | Visualizações (11)
Título: Poesia | 25Fev2007 01:01:00
Escrito por: Manuel Saiote
Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (123)Título: O meu sítio | 25Fev2007 00:00:00
Escrito por: Manuel Saiote

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Título: O beijo que encomendei está a chegar | 25Fev2007 00:00:00
Escrito por: Manuel Saiote
(o beijo)Quero que me dês um beijo!
Não ordeno... desejo
Como se mais nada qui Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (129)
ºº A Minha Dor ºº | 24Fev2007 18:45:00
Escrito por: Anabela
A Minha Dor
A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.
Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal…
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias…
A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!
Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve… ninguém vê… ninguém…
Florbela Espanca - O Livro das Mágoas
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A minha sequência de imagens | 23Fev2007 00:00:00
Escrito por: Manuel Saiote
Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (194)Título: Coisas a meio | 23Fev2007 00:00:00
Escrito por: Manuel Saiote

De pé no estribo,
Perna arqueada sobre o flanco,
Nádega assente na sela,
Braço teso e lasso na rédea,
Está meio cavaleiro...
O outro mei Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (111)
Mulher | 22Fev2007 00:00:00
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Quando me olho ao espelho
Vejo o meu corpo de mulher,
Tão frágil e subtil
Dispo-me da beleza
Cobro-me de inocência,
Quero voltar a nascer
Quero sentir de novo a fecundação
Ignorar o preconceito,
Voltar a ser um pouco de vida
No teu ventre de mulher
Ganhar a mesma forma
Delicada, ternurenta
Do teu seio que me amamenta
Na forma mais sedenta
O meu corpo é o teu corpo
Aquele que quis ter
Orgulhosamente
Nasci mulher! Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (19)
Violência contínua | 20Fev2007 00:00:00
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Ouvi um ruído, muito forte vindo por entre as fendas da porta daquele quarto. Quis espreitar mas não tive coragem, as agressões eram constantes.
Os gemidos soltavam-se em almofadas abafadas de despesismo, os insultos e as pancadas, pareciam sussurros mal definidos para silenciar a monstruosidade de uma cobardia insuportável.
Os dias passavam e o ruído aumentava, os berros faziam-se ouvir pela casa toda juntamente com a violação. Em seguida voltava a pancadaria de qualquer forma, de qualquer jeito.
O corpo de minha mãe já se confundia com um daqueles monstros da banda desenhada.
Já não suportava mais ouvir, aquelas palavras que minimizavam a dor, na sede de um temor aterrador. Encobriam a severa delinquência, daquele homem que parecia tão carinhoso a quem eu chamava de pai.
Os anos passavam as denuncias não chegavam, as desculpas mantinham-se, eu fui crescendo no silêncio que se conturbava com a brutalidade, daquele quarto.
A idade passou, não me lembro de ter sido criança...
Ainda contínuo a ouvir os gritos da minha pobre mãe açamados, nas mãos daquele ser repulsivo.
Esta é uma história verídica contada na primeira pessoa, de alguém que não posso expor o nome...
Que me pede para que nunca calem estas barbaridades! Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (91)
ºº O Choro do Farol ºº | 19Fev2007 15:30:00
Escrito por: Anabela
Fotografia de Nuno Milheiro
O Choro do Farol
O velho farol chora
Chora sem parar
É manhã de nevoeiro…
Rostos cansados regressam da faina
Em suas faces, amargura…
Nos seus braços, cansaço…
Ao som duma ladainha
Retiram o peixe do barco
Finda p’ra eles o dia
Que começa p’ra mim
Enquanto o farol chora…
30/07/2006
©Anabela Braga
(Chinezzinha)
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Fascinação | 18Fev2007 00:00:00
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Que lindas!
Que belas!
As estrelas no céu sem fim!
Olho para elas
Elas para mim
Que lindas!
Que belas!
As estrelas no céu sem fim
Mas... é dia...
Ah, já sei!
Dormia...
Sonhei...
Mas... aquelas estrelas
Tão lindas
Tão belas
Que eu vi lá nos céus...
Estou a vê-las
Meu amor
Nos olhos teus! Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (19)
O teu olhar mãe | 16Fev2007 00:00:00
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Esse olhar teu,
Não sei que tem...
Faz-me lembrar
Aquele olhar
Da Santa mãe
Que está no céu
Tão meigo e triste,
Faz-me cismar...
Só lá no céu
Encontro eu,
Algo que existe
No teu olhar!
Olhar que encanta,
Que cura a dor
Oh meu amor,
És uma Santa! Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (23)
Porque me tratam com indiferença? | 15Fev2007 00:00:00
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David, sofre de? síndrome de down?, hoje já adulto relata como venceu todos os obstáculos de discriminação social, desde da sua infância.Era eu ainda uma criança quando senti pela primeira vez, que me isolavam num quarto escuro da indiferença. Era rejeitado pelos outros meninos sem saber o porquê. Éramos todas crianças, abarcadas na vontade de crescer, não entendia, porque se riam de mim, afastavam-se.
Perdia-me em lágrimas, perguntando-me, (que tenho eu assim de tão diferente, para que ninguém me olhe como um pedacito de gente).
Fui crescendo, quando meus pais me explicaram que eu nascera com a Síndrome de Down, consiste em um grupo de alterações genéticas, das quais a trissomia do cromossoma 21 é a mais representativa (no contexto da medicina, uma não-disjunção, pela qual esta síndrome é também conhecida), causando graus de dificuldades na aprendizagem e de incapacidade física altamente variáveis.
Debrucei-me sobre o assunto, quis saber tudo, tentei perceber o que me tornava assim tão diferente daqueles meninos que outrora me rejeitavam,
o porquê de tanta descriminação.
Sei que o meu rosto acarreta macelas aos olhares dos curiosos, rumorejam nas minhas costas a diferença de uma igualdade tão contígua...
Meus pais cobriam-me sempre com muito amor, sempre que eu chegava a casa revoltado, desesperado, eles diziam-me:
- Filho a vida não é fácil, estamos cercados pelo preconceito, pela discriminação, mas só depende de ti venceres, sobrepujares estas falhas, envolventes do ser humano que se acha perfeito tem.
Segue em frente nós estaremos sempre aqui para te amar e apoiar.
Não me segurei, tirei o curso de belas artes com muitas restrições, sem qualquer tipo de apoio. Comecei a recriar, a pintar.
O abstracto, os cinco sentidos do preconceito, fiz a tela mais bela da descriminação.
Juntei todas as cores num jardim de imensas flores, quando por fim, lancei a minha primeira exposição.
Perguntei a um ser preconceituoso se conhecia o autor.
Ele respondeu:
Porquê conhece-o?
De certo que não, mas digo-lhe uma coisa, tem um enorme talento, lá isso tem.
Eu, solenemente respondi:
Por acaso até conheço. Mas diga-me uma coisa, nesse jardim qual a flor que escolheria nessa tela?
Ironicamente com tal conhecimento, o sujeito respondeu:
Se quer que lhe diga, não sei, são todas tão belas. Cada uma tem a sua forma real de pulcritude natural.
Aliviado david, olhou-o nos olhos, sorriu e disse:
Pois é, o pintor, sou eu, espero que com o que acabou de dizer tenha aprendido alguma coisa em relação ao seu preconceito desumano...
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A última carta | 13Fev2007 00:00:00
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Porto, 14 de Fevereiro de 2007Meu amor,
Talvez esta seja a última carta que te escreva, não sei se algum dia a irás ler. Juntar-se-á a tantas outras que te tenho escrito, que guardo naquela caixinha fechada já envelhecida pelo tempo.
Sinto-me franzida, não sei quanto tempo mais irei eu aguentar, aqui cerrada neste quarto, onde a escuridão prevalece desde o dia que separaram nossos corações.
As tábuas continuam pregadas na janela deste quarto frio, onde tudo começou, trancaram a luz do sol. Perdi tudo quanto tinha, a minha adolescência guardou o teu rosto, o sabor do teu beijo. É nele que eu penso, que mantém vivo este corpo compassivo. Não sei quantos anos já passaram, vou contando os dias no espelho em cada cabelo branco que penteio.
Meu amor, lembras-te quando passavas todos os dias por esta janela, onde eu te esperava toda a tarde só para te ver passar?
É lá que ainda hoje me encosto, para sentir o cheiro do teu perfume dentro da minha alma.
Idolatro-te, amo-te como se fosse a primeira vez. Em cada segundo que passa, as forças escasseiam-se...
Um beijo desta que te amará por toda a eternidade
Da tua Josefina
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Eternos (e)namorados | 12Fev2007 00:00:00
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Nesse teu olhar rasgado
Visto-me de misericórdia
Dispo-me em pecado
O amor extingue-se
Nos sentimentos mais excêntricos
Já não me chega apenas
Dizer que te amo
Quero mais muito mais
O auge,
A loucura,
Tudo o que te pertence
Até ao mais íntimo
Da tua ramificação
Nesta ou noutra existência
O nosso amor
Já é uno na crença
Da mesma reencarnação
Temos o mesmo pulsar
Numa única forma
De amar
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Convite | 12Fev2007 00:00:00
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A Casa de Pessoal da Tyco, a Corpos Editora e o autor Pedro Lopes têm a honra de convidar V. Exª, família e amigos, para a sessão de Lançamento do Romance ?UM AMOR PERFEITO NUMA VIDA IMPERFEITA? de Pedro Lopes, a realizar no dia 2 (Sexta-feira) de Março de 2007 pelas 21 horas na Casa de Pessoal da Tyco, na Rua Conde Serra Tourega nº32 em Évora. Sinopse de ?UM AMOR PERFEITO NUMA VIDA IMPERFEITA?
Um Romance histórico para quem acredita no Amor para além da morte?
O enredo desenvolve-se no início do séc. XIX entre a Régua no Douro vinhateiro e a velha Coimbra, cidade de Amores platónicos e paixões proibidas, numa altura conturbada da sociedade por conflitos entre monárquicos e republicanos.
Um história apaixonante sobre um Amor Imortal, chegando até aos nossos dias em forma de lenda.
Narrado agora de forma sublime pela genialidade de Pedro Lopes.
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ºº Ama-me... d e v a g a r... ºº | 11Fev2007 23:39:00
Escrito por: Anabela
Fotografia de Doug Heslep
d e v a g a r...
Ama-me... d e v a g a r...
S e m pressa...
L e n t a m e n t e...
11 de Fevereiro de 2007
©Anabela Braga
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Amor e ódio | 10Fev2007 00:00:00
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Odeio-te!
Como te poderei odiar
Se te amo tanto?!
Odeio-te,
Tu és o sol que se oculta nas nuvens da indiferença
E que provoca todo este dilúvio de sentimentos
Que me fatiga e enlouquece
Odeio-te!
Tu eras o sonho que se deitava comigo,
Eras luz da esperança
Que entrava pelas janelas abertas da minha alma
Todas as manhãs.
Odeio-te!
Eras o sonho estéril e maldito
As marés encrespadas, o naufrágio,
Do meu pobre barquito.
Odeio-te!
De tanto te amar...
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