Só penso em dormir... | 31Jan2008 17:28:00

Estávamos nós como que perdidos num caminho estreito que deveria levar a um espetáculo musical.

Tínhamos nas mãos algumas folhas, de um verde muito escuro que nos sujava os dedos,

como se sangrássemos, como se fôssemos daquela cor.

Nos olhamos assim como se olham as coisas que existem na proximidade

e permanecemos um pouco em nós mesmos como se fôssemos muito particulares e valiosos.

Caminhamos juntos por um corredor mal formado e as mãos, cheias de folhas,

ardiam um pouco e não perguntamos o porquê.

Seguindo, já não haviam mais e éramos nós

e uma multidão a tentar andar numa avenida infestada de automóveis, todos imóveis, sem ocupantes

e você tomou minha mão.

Me lembro que lhe disse de poemas, de canções,

de flores em ramalhetes e que você não respondeu quando eu perguntei sobre o aparelho, se ainda doía.

Bem vi que era sonho, já tinha suspeita,

porque minhas mãos eram macias nas suas

e de repente éramos tão íntimos que eu o sentia nos meus passos

e não precisava saber seu nome.

Era um sonho sim.

Devo ter implorado aos mundos para não acordar

porque em seguida estávamos os dois ao pé duma árvore imensa

e você me pressionava contra o tronco rude e áspero

enquanto corria as mãos no que restava de mim

e eu gemia verbos estranhos dentro da sua boca,

e não sabia, antes de acordar, se bêbada ou doente.

Sabia apenas que era meu, você, e por isso sonho.

Um sonho bem maior, clandestino, imoral, que não posso relatar.

Agora, vida, eu só penso em dormir,

só penso em dormir!

Edi

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Assim é a morte... | 26Jan2008 23:24:00

Em febre o meu mundo

E todo o inferno em festa,

Cânticos fúnebres

Povoam o ar,

Lágrimas na vigília

Enquanto toda a luz

Se extingue.

Faz-se meia-noite

Aos suspiros frios

E minha poesia, moribunda,

Fede...

Assim o amor acaba,

Assim acabam as preces,

As manhãs,

As rimas douradas,

Os teus beijos que engoli,

Teu sorriso cerrado,

Teu corpo passado,

Teu nome invertido,

Tua voz de adeus ecoando

Numa canção

De amor à outra.

Assim é a morte.

Edi

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Acasalamento | 26Jan2008 13:12:00

Entorno meu desejo sobre teu corpo,

Respiro o calor e a sede do teu peito,

Deixo que imprimas teus anseios

Com tuas mãos silenciosas

Nos caminhos alvos de mim

Onde dormia a paixão

Esperando por ti...

Tua pele cheira a tudo o que sussurro, rouca,

Enquanto arrasto a brasa viva dos meus lábios

Até onde estão os teus...

Quando nossas bocas se dão

À fome inocente e selvagem,

Quando nossas línguas se entregam

À dança morna e atrevida,

Eu não sei onde termino

Ou onde tu começas,

Presos os meus seios

Entre o meu arfar

E o teu gemido...

Eu te possuo desnorteada,

Fêmea feroz a devorar-te

Em carne e instinto

E quando gritas meu nome,

Entontecido de luz,

Todos os mares do mundo

Transbordam dos nossos poros

Em êxtases mútuos explodimos nós

E mil vulcões aflitos

Derramam-se nos lençóis!


Edi
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Sonata | 25Jan2008 13:34:00

Pronúncia mágica

de todos os verbos,

o amor é fala

que a tudo dá vida,

é sonoro argumento

que entrega a razão

a quem inventa

um sorriso

à margem fria

das dores

e canta lágrimas

de um sabor tão doce

que fertilizam

as mais duras flores...

Edi

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Amor sem fim... | 25Jan2008 13:28:00

Deixo que os dias

descansem de mim,

sombra aflita e suburbana,

abro com os olhos a noite

ao amor que nasceu pra dormir

sem nunca ter de acordar...

sonho com a vida sem cores,

com a minha ausência

a me atormentar,

desperto sorrindo,

com o gosto da noite na boca,

mastigo flores,

lambo perfumes,

beijo fantasmas

e juro que vou

para sempre

me amar...

Edi

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Auto Retrato | 19Jan2008 21:18:00

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Eu sou princesa

Sem vestido de baile,
Sem madrinha,
Sem escadarias para descer...
Sou moça sem tranças,
Sem sorriso,
À janela de um castelo
Em chamas.
Sou noiva encantada
Sem beijos,
Sem sapato,
Sem príncipe,
Sem sapo...
Sou camponesa adormecida,
Sem flores,
Sem sonhos,
A branca aldeã
Sem espelho,
Sem maçã...
Sou metade infeliz,
Metade triste.
Metade amor,
Metade absurdo.
Porque o que não existe
Sou eu
E está em tudo!


Locação a cargo da amiga "DianaBalis"
http://www.dianabalis.blogtok.com">www.dianabalis.blogtok.com

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VERDADEIRO AMOR* | 19Jan2008 02:03:00



Meu amor... meu verdadeiro amor...
Teu olhar evasivo, mas tão doce...
Toca-me sem tocar... Mas se vou...
Nada expões, não é como se fosse...

Acerco-me de ti, teu olhar só brilha...
Olhos molhados, lágrimas e sorriso.
Tua boca me revelando nossa trilha...
Agora sei que me ama Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (180)

LABAREDAS DE PAIXÃO * | 19Jan2008 01:56:00

LABAREDAS DE PAIXÃO *


Em loucuras estremecer, em delírios vibrar,
E assim me sentir plena nos teus abraços...
Vendo, neste momento, a vida recomeçar...
Sendo igual, no diferente, sigo teus passos...

Só em ti apreendo minha própria juventude... Ler mais | Comentários (1) | Visualizações (229)

LÍNGUA PORTUGUESA, UM AMOR DE MÃE... | 19Jan2008 01:47:00

LÍNGUA PORTUGUESA, UM AMOR DE MÃE...



A Língua Portuguesa contém a mesclagem de suas origens e seus adicionamentos que a prática e o tempo no convívio aprimoraram... A cada dia esta linguagem adquire mais e mais vida e encantamento. Os regionalismos não a prejudicaram... Nem a prejudicam... Com o passar do tempo incorporam e inflamam novas formas, Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (470)

PERIGO REAL E IMEDIATO* | 19Jan2008 01:31:00




PERIGO REAL E IMEDIATO*


Leptop consigo, fiel cobertorzinho...
Seu HD ... Quase sua única fonte de memória...
Na busca internética alguém, espera a hora de assalto, invasão de privacidade e apropriação...

O usuário recebe um e-mail, de Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (142)

Transcende | 18Jan2008 12:28:00






Transcende e vem
Vem que a noite cai...
Debruce sobre mim seus sonhos
Na alma calma, deita o desejo carnal.
Esperanças nesse encontro protegido
Quero rever gritos e gemidos,
Destemidos aos corpos nus.
Atitudes de amantes inocentes,
Perto de ti o amor amanhecerá, mormente.
Serei desejo no prazer feito chama
Jamais perguntas sem respostas.
Vem, Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (276)

| 17Jan2008 00:00:00



A Cruz...

Suspenso, impressionante, Jesus...

Passei em Fátima e foi esta a imagem que gravei na memória.

Impossível ficar indiferente a este abraço de Amor universal! Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (3)

| 17Jan2008 00:00:00



A Cruz...

Suspenso, impressionante, Jesus...

Passei em Fátima e foi esta a imagem que gravei na memória.

Impossível ficar indiferente a este abraço de Amor universal! Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (1)

Pedras da Calçada | 10Jan2008 00:00:00



Homenagem a Sérgio Stichini

Pedras da Calçada

Ouço os murmúrios das pedras da calçada

nas palmas das minhas mãos calejadas,

vou esculpindo uma metade de mim em arte

mas a outra metade fica sem abrigo,

na escultura de um calceteiro definhado.

Ajoelho-me nas formas lineares...

...granito, mármore, granodiorito,

cinzelo-as, como se fosse a minha opulência.

Deixo-me levar pela alvorada boreal,

parte de mim morrerá sobre as pedras

de um simples calceteiro rústico,

mas a outra se imortalizará em musas

lavradas nas calçadas...


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Cânticos e florais | 05Jan2008 15:44:00

Mais tenra

Que essa tarde úmida

Onde dormem, tímidos,

Raios prematuros da noite,

Assim, tenra e úmida,

Suspira minh’alma

À neblina aromática

Da lembrança dele

E como se fossem brancas pétalas

As partituras me escapam das mãos

Dançando ao vento

E eu canto de cor

A saudade...

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Uma noite ao meio... | 05Jan2008 15:37:00

O breu da sua ausência

Instala a noite

Em minh’alma,

Como uma mão gigante

A me tomar os olhos,

Mil vozes dizendo a distância,

Gritando a incerteza

Que ecoa em meu quarto,

Ampliadas pela solidão

Com que me cubro

Esperando você...

As horas, suspensas,

Fazem eterna a escuridão

E eu chamo seu nome,

Luz que sussurro,

E sorriem de mim as paredes,

Os lençóis frios,

Meu corpo insone

Em febre e tormento.

Mas......

No silêncio negro

Que inventa o tempo

Eu sinto seu toque,

Bálsamo extremo,

Sinto seus lábios

Dando fim à dor

De minha pele

E o ouço dizer

Por todo o meu corpo:

“Minha linda...”

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