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- 11Out2014 21:34:00
Ária para meu verso






Não sei de onde vem o verso
Se da ponta da língua, no amargor
Das construções do eu interior
Cor local, meu som, meu universo

É seta cruzando o céu, no vão da boca
Linguagem gestual riscando a palma
O canto sem cantor que lava a alma
Tantas vezes sem pudor, palavra louca

Pulsar de um coração cheio de espanto
Que trago em minha mão como um cristal
O verso me marcou na sina, seu sinal
Na pele me cobriu de luz, seu manto

No cerne da palavra, fonte e vertente
Por onde me levou flor boiando em rio
Semente a germinar, terra no cio
Imagem em esplendor dentro da mente

No ardor da escrita acendo a chama
Espada da poesia, a mão erguida
Me fere com prazer dor desconhecida
Arranha a minha mão e ainda reclama

Não nasce explícita, palavra crua
E não revela a sua face no espelho
É segredo, sussurro, falso conselho
Que ao se revelar me torna nua



Sandra Fonseca



In: Dez Violinos Marinhos e Uma Guitarra de Sal - 2014



Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2014_10_11_archive.html#2405999936951572967


POESIA LÍQUIDA - 09Jul2014 15:47:00

Meu verso
Rompe veias, barreiras
Rio sem freios
Que me carrega
Sangra num fio
De água doce

Sangria louca
Que não se estanca
Palavra-lava
Que se derrama
Sem derradeiro
Ponto final

Meu verso
É vício
Ferida, carne viva
Renda e filigrana
É remendo às pressas
Veneno, promessa
Desengano

É mel na boca
Sorrindo, a louca
Sonhando a lua
Correndo nua
Desaba inteira
Feito tempestade
Sobre a cidade
Meu coração

Meu verso
É lenda, profanação
De almas e sonhos
A fina dama, tonta
Obscena
Úmida, lânguida
Poesia líquida




Sandra Fonseca


Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2014_07_09_archive.html#3787662372797236388

LUA E SOL - 23Mar2014 23:11:00


Bastaria
Eu vestida de lua
E o teu ideal de ser sol
Sobre esses dias de frio
O tempo alucinado
Como animal sem doma
Sobre a delicadeza
Desse sonho
Sonhos
Enovelando o destino
Desatinos entre
Dois mundos
Bastaria
A breve pausa
Entre duas cenas
Tão reais


Meus olhos
Cerram-se nos teus
Num brevíssimo
Bater de asas
Nesta noite
Que passa como
Uma névoa.


Sandra Fonseca






Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2014_03_23_archive.html#6250426042333907469

- 11Nov2013 13:04:00



A CASA DO SENHOR DAS ÁGUAS


Não apresso a despedida
Não apresso o rio
Cultivo esse nó
Que se desata, eterno
E lento.

Lentamente cavalgando as luas
Delírio de astronauta
Coisas, gestos mínimos
Canto da boca
De onde recolho gota a gota
O sumo, a essência
Isso que não é lunar
E por ser movediço
E denso
Também não é terreno.

É onda
Quando se levanta
Arrebatando voraz
A fauna
A flora
A vida marinha
E se arrebenta praia
E se aquieta
Do seu próprio furor
Se se alimenta
Argonauta.

Domínios do mar
Onde resido
Onde a maresia
Chicoteia o vento
E lambe meus pés de areia
Passageiros.

Isso de que falo
Me arrebata
Avassala.
Se estende desmedido
Entre os mapas
Das  omoplatas
E faz do ventre
Um ninho de gaivotas
Isso de que falo
É marulhoso, infinito
Tenso.
E eu não desejo
Escapar da sua casa
Senhor das águas
Mar esplêndido.


Sandra Fonseca


Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2013_11_11_archive.html#619419475765620561

MEMORÁVEL - 04Jul2013 01:27:00




Pousou sobre
As suas coxas
Era um frêmito
Um alvoroço de plumas
Penugens
Pelos

A boca sabia
A sal
A pele roçava nua
Abriu-se dócil
A intenção do ato
O que a língua fala
E o desejo
Compactua

Ligeiros
Ágeis espasmos
Estertores
De prata e espuma
A noite testemunhava
Plácida bruma
A cena memorável:
Um pássaro pousado
No ventre da lua.


Sandra Fonseca



Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2013_07_03_archive.html#4747329054689111404

- 04Jun2013 01:33:00

INCOMPLETUDE



Editar textoEliminar texto
  Mãos de navalha
Eu vou
Cortando rumos
Cortando a noite
Em luas,
Eu vou a esmo

Por dentro
Dos vendavais
Dos sonhos
Enraizada ao medo
Mulher de carne
E bruma
Mal disfarçada, nua
Eu vou

Atada ao dorso
Desse corcel
Feito de fogo
E asas,
Por sobre o oceano
Inteiro
Por sobre as casas
Eu vou
Ao léu

Abrindo
Terras estranhas
De fendas, mágoas
Tamanhas
De mim,
Estrangeira
Levando
Dentro do peito
Um coração voraz
O filho bastardo
De um sonho
Incontinente
Fugaz

Devorador de ilusões

Eu vou me repartindo
Ao meio
Sou parte
Cheia de espanto
E outra parte
Desejo
Eu vou...



Sandra Fonseca


Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2013_06_03_archive.html#903359366407491439

COLADA À TUA LUZ - 14Abr2013 16:07:00



Como se fosses morrer
Me calo em sua boca
Sôfrega, te respiro
Vida
E te desenhas
Rictus, sorrisos
Nas maças do meu rosto
Vasculho de novo
Sôfrega, repito
Teu fundo poço
O lamaçal, o fosso
Onde me guardas
Das palavras
Colada a tua luz
Sou frágil
Inseto, transparente
Quase abjecta.
Insisto
Persigo os teus desertos
Faço do teu dorso
O meu atalho incerto
E atravesso a noite
Deslumbrada de medo.
A noite eterna e um sonho
meu precioso diamante
Colada à luz do dia
Espero amanhecer.



Sandra Fonseca





Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2013_04_14_archive.html#2593940044508526810

Fogo e água - 17Fev2013 22:54:00


Tudo se envolve em chamas, tudo arde
Até o leito do rio aonde, náufraga,
Mergulho em estupor a minha saga
E vou me afogando sem alarde.

Num desatino, a alma em desalinho
O amor se move a esmo, pede um braço,
O ninho caloroso de um abraço
Envolto em línguas de águas e de linho.

Eterna ardência a sede dos teus mares
Eu sonho grandes asas sobre os ares
Imenso céu que sabe o mundo inteiro.

Teu corpo é quilha, casco de um navio
Saltando as emoções do mar bravio,
É fogo sobre água, barco, marinheiro


Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2013_02_17_archive.html#2456039037333902046

FLORES DE INVERNO - 31Jul2012 01:09:00

Para Tetê

 




São flores de inverno

Que te entrego

Ainda.

Não consegui até

Hoje reinventar

O sol e nem

Um canto de um

Beija-flor cor-de-sol.

Mas essas flores  de inverno

As construí pétala

Por pétala

Geradas das sementes

Que plantamos

Na seara

De milhares de dias postos.

Morreram tantas vezes

Morremos tanto.

Mas no milagre do tempo

Que cicatriza as dores

E levanta os dias sempre

E de novo

Feito uma eterna promessa

Da vida

Essas flores de inverno

Que inventei

Germinaram

Como pequenas e inenarráveis

Promessas

Palavras de sol

Que hão de fazer

Brilhar tanto

As páginas da vida.



Com amor,

Naninha.

30/07/12


















Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2012_07_30_archive.html#3456817333892221969

ESSA PEDRA - 23Abr2012 03:20:00



?No Hades, ele (Sisifo) foi condenado, tendo de rolar, por toda a eternidade, uma pedra até o cume de uma montanha, que rolava novamente sobre ele?.  Hamilton, E.



Escrevo, às vezes
Com essa mão decepada
Da alegria
É que a poesia
Também é ira
Essa belicosa fera
Essa pedra.

Fere
E abre ferida
Enche-a de lodo
E sal.

Um mal
Acima do meu desejo
Meu mal
Meu beijo.

Súbito trejeito
Da alma
Coisa impalpável
Essa letra de fel.

Letal
Libido sem freios
Esse poema louco
Acéfalo cavalo de fogo
Correndo nas pautas
Nas patas insubmissas
Do papel.
Canta, sussurra
Grita
Essa ira
Essa belicosa fera
Essa pedra.

Sandra Fonseca


Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2012_04_22_archive.html#8013022062102623436

TRAÇOS - 21Fev2012 11:04:00



Querer o mar ao largo do poente
Um barco a navegar, aberto o pano
Entre os azuis do céu e do oceano
E o vento a sussurrar dentro da mente.

São asas de gaivota na arrancada
Quando se elevam aos céus em mudo espanto
São patas de um corcel na atropelada
E as notas irisadas de um canto.

E o vento , o céu e o mar, a geografia
Desenham em meu papel, muda grafia
A letra da ilusão que eu mesma traço.

A vida é um poema comovido
Palavra por palavra em meu ouvido
E a ânsia de voar me aperta o passo.


Sandra Fonseca

Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2012_02_21_archive.html#4321196395381361161

POR AMOR À PALAVRA - 22Jul2011 16:01:00


Estou na
Antecâmara
Da palavra
Estou na véspera
Desse verso vago
Que me invade
Sem ter pressa.
Num labirinto
Sem saída
Persegue-me.
Estou no segundo
Antes
Da palavra,
Estou no prenúncio
Desse grito
Que me grita
Inteira
E pelo meio
Me devora
Numa solicitude calma.

Estou no pretérito
No ontem
Da palavra.
Estou no âmago
Dessa palavra que me ama
De um amor sem saída
Que se vive, fere
A minha liberdade.
A palavra me ama
Com ganas
De morte.


Sandra Fonseca In: A solidão das mulheres poetas

Imagem: internet



Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2011_07_22_archive.html#3072278867113622452

FENÔMENO - 19Jun2011 14:59:00

Que voz, que vento

Maresia, pensamento

Que mesmo é isso

Encanto

Mão de ferro na garganta

Brilho de cristal

Na escuridão.

Que pedra rara

Lâmina que roça o pulso

O pulo do gato

Língua de trapo.

Revolve o fundo

A s entranhas, a carne

O sopro no cabelo

Da memória distante

O dolorido desse instante

Um portento, um gigante

Avassalador encanto

Um verso arde

No canto do olho





Sandra Fonseca



*Imagem da internet



Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2011_06_19_archive.html#8006778183072651974

MENINA SEM OLHOS - 15Mai2011 17:12:00

No espaço entre as palavras

Faço um barco

Um infinito de plumas

E asas azuis

Esse meu mar de ilusão.

Fundo um reino

Feito todo de ar

E luz

E poesia

E nem mesmo sei

Que matéria a inventa

Que rara estrela acende

Tochas e aves como braços

De sol.

Onde há silêncios

Cortando como facas

Sobre o altar de um abismo

Uma menina sem olhos

Canta.

A sua alma é toda

Feita de ouvidos

E harpas.

Aos poucos despe

Suas carnes parcas

De barro e água.

Montes de braços

Traços e asas

Na voragem

Inenarrável

Da vertigem.



Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2011_05_15_archive.html#6220986122088263751



Permita-me

Dividir contigo

Teu casaco, tua bebida

Gotas, lentilhas, diamantes

Teu anel de única palavra

Brilhando no escuro.

Permita-me

Braços dados

Velhas senhoras meninas

Nós duas seremos

Estranhas a esse mundo

De sombras e de muros.

Se divido teu passo

Esse pisotear de pétalas

Teu hálito de surpresas

Inefável

E empresta-me teu vestido

O cetim, a renda

O brocado.

Lírica, mítica

A dona das lendas

Eu me vejo

Trágica, seráfica

Encharcada de risos

Atravessando de valsas

E de tangos

A ira das borrascas.

Eu e tu,

Senhora

De mãos dadas

No largo da praça

Embriagadas de letras

E de cantos

Seduzindo a vida.

Sandra




foto: http://grupotablado.wordpress.com/








Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2011_04_26_archive.html#6377071970997198129

POR ANAÏS NIN - 09Mar2011 20:16:00


Escrevo,
Respiro.
Escrevo tal a necessidade vital
Que a experiência traduz
Escrevo,
Preciso,
Tal como o mar precisa
Da tempestade
E o escuro
Da luz.
Reluz
O ouro da palavra
Na busca incessante
Do maravilhoso
Do infinito que toca
O espaço,
As coisas.
Dão-me febre
As palavras,
Iluminação,
Graça.´
E quando essa música
Para na minha cabeça,
Então remendo meias,
Colho frutos,
Mas, sinto
Que não vivo.





Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2011_03_09_archive.html#8970791851739997909

TU, OCEANO - 02Mar2011 13:49:00


Não

Me importo mais

Que te demores

Se te sinto

Cada vez mais

Fado, destino.

Não desatino mais

Em madrugadas vermelhas

Em luar

De luas pálidas

Perfeitas

Se te tenho em cada istmo

De um desejo urgente.

Se o tempo vai

Machucando coração

Bocas

Veias

Abrindo rios

Torrentes

Cachoeiras

Que se vão desaguar

Na vastidão dessas águas

Onde habitamos

Eu, mulher do mar

Tu oceano.



Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2011_03_02_archive.html#3459262461325897761

PAPÉIS E ESTRELAS ROUBADAS - 17Fev2011 12:12:00


Tortuosos
Os caminhos de dentro.
Seguir a fantasia
O horizonte sem alcance
O intangível corre
Com a ilusão.
Há um cansaço
No vidro dos olhos
De tanto rodar aventuranças
E filmes antigos.

Eu peço
Licença de não sonhar
Momento isento
Entre o azul do céu
E um negro tormento.

Tenho uma gaveta
De papéis e estrelas roubadas.
Eu tenho mil disfarces
Para o mal de sonhar.

O silêncio fechado num leque
De poemas
Eu abro num rompante.
Nele, eu silencio
Paisagens
Corpos
Luas que nunca existiram.
E a alma corre
Seu caminho de dentro
Lavra em seu delírio
As pedras brutas
Do sonho.





Sandra Fonseca



Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2011_02_17_archive.html#6485342050410068924

É AQUI - 13Fev2011 12:41:00


É aqui
Onde toco as palavras
Que sei de mim.
Alguma certeza,
A alma contra a luz
Do dia,
Os ossos, a carnadura.
A leveza do ouvido
Colado à brisa,
A canção que só a mim
Cabe silenciar.
E a boca pausada
Se movimenta
E articula a beleza
Secreta, sedenta,
O mistério da palavra.
Ouvi,
A poesia me canta
Por dentro
Como um pensamento
Como um coisa imorredoura,
Sangramento,
Sem causa,
E sem pausa,
Arrastamento.
É aqui
Que eu encho os meus olhos,
De absurdo
E de espanto,
É aqui que eu fecho os meu ouvidos,
E canto.

Sandra Fonseca


Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2011_02_13_archive.html#1509812672662369786

SETEMBRO - 18Jul2010 12:37:00




Sei do meu tempo
esse rosto breve e moço
as lavras arrastando sonhos
e os subterrâneos
da semente
preparando setembros.

Penso o verde rio
alisando o corpo
da mãe das águas
e os mares tingindo
em azuis os barcos
e as sereias.

A areia branca
de rendas e teias
enfeitada de conchas
e a chuva das pétalas
contornando o dia.

Penso setembro,
manhã de nostalgia,
setembro foi ontem,
setembro é uma esperança
pintada de branco.

Setembro não vem.


Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2010_07_18_archive.html#776856499027643662

ÁGUA SOBRE A PELE - 05Jul2010 00:54:00



Jorra
A fonte alta
Sob a pele
Chuva
Chovem as luas
Fagulhas
Pontas de facas
Estrelas nuas

Suam
Melíferas espumas
Poros dilatados
Mergulham
Pontas de agulhas
Adentro
A alma
Despe-se
De seus vestidos de águas.
O corpo sucumbe
Íncubo tormento
Líquido
Sagrento
Seu branco leito
Navegante
Afoga-se
O sexo dormente.
Retorna
À fonte.



Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2010_07_04_archive.html#7297987257997887618

O LIVRO DE MAGDA LUNA PAIS - 18Abr2010 14:34:00

Lançado pela editora Temas Originais, o livro da amiga Magda, ?Vida na Internet? . Como grande leitora que é, Magda traça suas impressões sobre a realidade virtual que nos insere a todos?


Sinopse: ?Vida na Internet? é o primeiro livro autónomo de Magda Pais, que compila as experiências que a autora viveu, ou que lhe foram relatadas por terceiros, enquanto internauta e frequentadora assídua de blogues e sites de literatura, dando-nos a sua visão pessoal das realidades sociais associadas. Encontramos ainda, neste livro, algumas explicações técnicas, dadas de forma acessível, permitindo, ao leitor, esclarecer dúvidas ou levantar questões sobre as quais nunca terá pensado.

Magda Luna Pais nasceu em 1969 no Barreiro. É casada e mãe de dois filhos. Foi sempre uma leitora assídua, e nunca pensou em escrever até encontrar o site www.luso-poemas.net que veio alterar parte da sua vida. Deste site, onde exerce funções de moderadora, e do qual foi administradora, saíram novos amigos e ideias para este livro. Tem o seu próprio blogue http://stoneartportugal.blogspot.com, onde, para além dos seus textos, divulga textos de outros autores. Participou na Antologia Luso-poemas 2008, editado pela Edium Editores e na colectânea ?A arte pela escrita?, editada pela ArtEscrita.

Saiba mais em:

Stoneartportugal - Pedra Filosofal



Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2010_04_18_archive.html#7038678302298762782

EU VEJO O MAR - 01Nov2009 11:36:00



Durmo
o sono injusto
da espera
e o sonho repetitivo
de um outro dia.
Sei agora o que sou
sem lembrar
quem mesmo era.
um poema me tocou
ao centro da fronte
defronte a alma
E me roubou
noites tantas
fontes
dores que já não doem
ardores que já não desassossegam
em barcos que já não navegam.

O dia se iguala a noite
e tudo equivale a nada
o sol é lua apagada
e sei que já não me lembro
da alma antiga que tenho
correndo por essa estrada.

a madrugada vai alta
a lua de papel de seda
jaz num charco atirada
e eu, pensei num poema
feito de luz e sombra
de sutileza
e rumor.
Prá dizer que nunca sei
se essa voz que canta é minha
se é minha a que pranteia
por fim se sou o que escrevo
ou se escrevo o que sonho.

o que sei, eu sei do sonho
e nem sei nada da vida
se o que sei é o que suponho
eu não sei nada de mim.

um coração histrião,
uma flor despetalada
boiando em rio sem fim.
doida, a alma
na proa da nau sem vela,
a vida é terra
é pura pedra
e eu vejo o mar.


Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2009_11_01_archive.html#2688574963280923523



Saciedade dos Poetas Vivos Digital nº 9 versa e verseja sobre as QUATRO ESTAÇÕES ? os ciclos da natureza e/ou a comparação deles com as fases humanas: o começo (aflorar/desabrochar), o auge (a expansão e o climax), o declínio (ocaso/reflexão) e o fim (frieza/tristeza) de uma paixão, de um sentimento intenso. Cada uma, em separado, narra um capítulo; juntas, retratam às vezes uma vida inteira, em uma espécie de cena contínua de uma obra aberta, de um work in progress. A idéia de desenvolvermos esta temática surgiu através de uma pesquisa que realizamos há algum tempo sobre Vivaldi. O compositor d' As Quatro Estações ? sua obra mais famosa ? expressa musicalmente os fenômenos da natureza e/ou os períodos sentimentais a eles metaforicamente equiparados: o eclodir/agir do primeiro impulso, a alegria-plenitude, a dúvida/reflexão e o término de uma relação afetiva. Nasceu portanto da música a poesia deste volume.

Em todas as artes, as estações sempre despertaram obras maravilhosas; na poesia elas apareceram milnearmente nos kigos, que são o pilar das construções dos haicais tradicionais, e que se constituem por uma palavra ou expressão que sugere uma estação ou época do ano. Escreve Teliti Suzuki, Conselheiro do Centro de Estudos Japoneses da USP, no prefácio do livro "Natureza - berço do haicai - Kigologia e Antologia", organizado por H. Masuda Goga e Teruko Oda (1996):

O preceito budista de que tudo neste mundo é transitório aparece na literatura japonesa desde seus primórdios, mais exatamente, na primeira antologia poética compilada no século VIII.
Nos versos encadeados (renga e haikai renga), essa transitoriedade é expressa pelos kigo (termos de estação) que remetem às estações do ano ou a fenômenos sazonais e que devem constar obrigatoriamente da estrofe inicial do encadeamento, denominada hokku . Este hokku, por sua vez, passa a constituir um gênero independente a partir dos fins do século XVII, justamente quando o haikai renga da escola de Bashô se consolida com sua poética genuína.

Dia de primavera ?
Os pardais no jardim
Tomam banho de areia.

Onitsura

O rio de verão ?
Que alegria atravessá-lo
De sandálias à mão.

Buson

Em qualquer lugar
Onde se deixem as coisas,
As sombras do outono.

Kyoshi

Sem guarda-chuva
E sob a chuva de inverno ?
Bem, bem!

Bashô

Fonte: Antologia de haicais japoneses - http://www.kakinet.com/caqui/antojap.shtml

Contemplar a natureza sempre foi motivo de aprendizagem, reflexão e legado de experiências. Na nossa Saciedade dos PoetasiVivos, vol. 9, apresentamos o movimento das estações através de variadas propostas estéticas, na voz de dezessete poetas contemporâneos: Clevane Pessoa, Débora Siqueira Bueno, Dora Tavares, Jania Souza, Jaqueline Serávia, João Nilo, Márcia Sanchez Luz, Mariana Pinto, Pam Orbacam, Pedro Du Bois, Regina Vilarinhos, Sandra Fonseca (http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/obrasdigitais/saciedigpv/09/sandrafonseca01.php), Sandra Souza, Sônia Adarias Soares Bruno, e dos nossos convidados especiais: Celso Gutfreind, Elisa Lucinda e Wilson Bueno (este último com um belíssimo repertório de rengas, nesta Antologia).

Cada vez mais as estações do ano - pela ação predatória do ser humano e os consequente efeitos de estufa, principalmente - estão diferentes e mesclados: temos primaveras invernosas, invernos quentes, verões outonais, outonos primaveris. Porém, como "nos terrenos terrenos/ nada é definitivo", como escreve Celso Gutfreind, que a poesia venha reestabelecer a certeza de mudanças e a plena vivência dos climas e estágios da vida, sob todas as suas variações de luz..

Urhacy Faustino e Leila Míccolis
EDITORES

Lançamento oficial: 13 de outubro de 2009
(Dia Mundial do Escritor)
Créditos:
Capa: Vande Rotta Gomide
Título: Eduardo Feijó Netto Machado
Seleção de textos: Leila Míccolis
Webmaster: Urhacy Faustino

Fonte: http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/2009_10_18_archive.html#6663291848998462247