|
||||||
Menu
Da Poesia
Do Luso-Poemas
Poemas
Forum
Categorias
Poemas
Cartas
Contos
Duetos
Fado
Pensamentos
Haikais
Homenagens
Poetrix
Resenhas
Rondel
Sonetos
Textos
Destaque
Amora
Antero de Freitas
António Martins
António Paiva
ConceiçãoB
Diana Balis
Flávio Silver
Freud Não Morreu
Godi
Helen de Rose
Ibernise
Jarber
JSL
Ledalge
Verónica Lacerda
Vera Silva
Sandra Fonseca
Teresa
Blogs-RSS
21-Gramas
A voz e as palavras
Amor-Ideal
Arte e poesia
Freitas Antero
Poesia Avulsa
AudioBlogs
EstúdioRaposa
Poesia Erótica
Outros Poetas
Homenagem
Blogs do Mês
Notícias
Poesia/Jornais
Blogosfera
Poetas
Consagrados
Teresa
Alvares de Azevedo
Antero de Quental
António Gedeão
Ary dos Santos
Já!
Hoje!
Ruthy-Mispoemas
BP
Brasil Poesias
Blog
Recanto Letras
Recomenda
Verónica Lacerda
Poema sem nome - 26Mar2019 22:52:38
Poema sem nome
Outono querido Momento doído Teus ventos me despem De folhas diversas Aquelas secas inúteis E as de cores fúteis Me despem teus ventos Roubam-me a alma Fazem-me estéril. Estação preferida Por que tão doída? Aos meus pés as vejo caídas Inúteis e fúteis medidas Que alimentarão certamente Minhas raízes crescidas. Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=323362 DISTRAÇÃO - 26Mar2019 22:52:38
?se puxar demais, a corda arrebenta. Se deixar frouxo, não toca?? - Buda
Distração ? palavra que faz parte da essência humana. Segundo a etimologia da palavra, ?dis? significa basicamente negação, algo contrário ou mesmo ?para fora?. O radical da palavra, também do latim, ?distrahere?, significa separar, puxar em diferentes direções. Passou-me uma ideia de força atuando sobre algo, lembrou-me conceitos da Física. Sob esse prisma talvez pudéssemos dizer que distração é retirar a força (atenção) de algum lugar e dispersá-la para outro(s) foco(s). Basicamente é este o movimento proposto. A mente humana é mestra na arte da distração; seja ela originariamente orquestrada por nossos maiores receptores (os sentidos) ou mesmo por milhares de probabilidades que se movem em décimos de milésimos de segundo entre as sinapses neuronais. Ouso dizer que, sem distração, não haveria raça humana como conhecemos hoje. Ela é fundamental à sobrevivência da espécie. Imagine um ser humano autoconsciente que não se distraísse por nada de seus objetivos, a menos que fosse de sua livre vontade? Tal mente ainda não fora desperta ? não mesmo. Não recordo-me no momento, mas suponho ter visto algum filme onde uma situação similar ocorria. Determinado personagem tinha acesso a muitos acontecimentos e enlouquecia por isso. De fato, por mais que um controle assim seja tão almejado, o mesmo chega a causar um certo estranhamento ou temor. Estar totalmente focado em si, mesmo vivendo numa dimensão como a nossa, é algo praticamente impossível e, sem nenhum medo de ser redundante afirmo: impossível na prática mesmo. Mesmo sendo algo assim tão aparentemente incomensurável, o autocontrole deverá ser sempre almejado e buscado. Sendo assim, até mesmo a distração poderá ser conduzida de forma cada vez mais consciente. Mas o que acontece quando não nos damos conta deste mecanismo da distração? Ora, basta olhar pela janela. O que acontece está diante dos nossos olhos, todos os dias, em menor ou maior escala. Da forma mais simples à mais complexa. Engloba uma única vida ou mesmo todo um país. A maioria de nós vive distraído de si a maior parte do tempo. E o pior: nem se dá conta disso. Dentro desse mecanismo, os sentidos são os menos prejudiciais. Isso em sua forma essencial, como a fome, a dor, o sono e por aí vai. No entanto, a mente também se utiliza dos sentidos para engendrar formas de distrair-se. Na verdade, mesmo sem ter lido nada específico à respeito, acredito mesmo que a distração seja um mecanismo poderoso da mente, utilizado para autodefesa. Exemplificando de forma bem básica: uma criança muito cobrada por pessoa amada muito próxima desenvolve patologia que a leva a um nível tal de distração onde o resultado é exatamente chamar atenção para si como única forma de conseguir contato e/ou carinho. Soube de um caso parecido, narrado por uma psicóloga, onde uma criança tinha sérias dificuldades na escola e fora concluído que a mesma não melhorava porque apanhava constantemente da mãe em função disso, sendo este o único contato físico mais íntimo existente entre mãe e filho. Ou seja, havia uma ?tração? da alma ali. Um puxar. Uma ausência de um contato extremamente desejado que, no desespero de uma mente pequenina que não sabe compreender o que sente, porém não menos inteligente que qualquer outra, desenvolve mecanismos para driblar aquilo que considera mais prejudicial a si, por incrível que possa parecer. Assim somos todos nós. Distração. Deixar de puxar. Tirar o foco de. Pulando dos fatos para a filosofia budista, poderíamos fazer uma analogia com a ilusão. Distrair-se é também iludir-se. E por favor, não me venham entender que ilusão seja algo prejudicial ? procuro ser o máximo imparcial aqui. Ilusão faz parte da vida humana, ao menos até aqui. A ilusão é uma confusão de sentidos que provoca a distorção da percepção. Ora, nossa percepção é por si só limitada. Somos um ponto no meio de um oceano de pontos. A ilusão é algo perfeitamente aceitável num cenário desses. Mas, voltando ao tema ?distração?, é importante o reconhecimento do movimento em si. Porque é somente isso que ele é: movimento. Nada mais. A distração nada define. Nada busca. Nada constrói ou destrói. É apenas movimento. Tem ponto de partida e destino bem definidos. Não há inércia aqui. Ela é instrumento da mente. E é fascinante começar a pensar nas coisas sem polaridade, pensar nas coisas como ela são. Muitos à esta altura já se perguntam se a distração é algo bom ou ruim. Quem poderá dizer? Somente você mesmo poderá definir a intensidade e função da distração, enquanto seu arquiteto. Ouso apenas dar uma pequena pista: olhe-se no espelho. Acredito que aí possas encontrar respostas muito, muito rápidas e esmagadoramente claras ? isto se não te distraíres com as manchas no vidro. Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=274590 Você precisa aprender a se desapegar - 26Mar2019 22:52:38
?Você precisa aprender a se desapegar.? ? personagem de George Clooney à personagem de Sandra Bullock no filme ?Gravity? (Gravidade). Assisti a este filme hoje à tarde deitada em minha cama e esta frase foi o grande aprendizado do dia.
Desapego. Palavrinha difícil essa, não? Difícil de ser mensurada e vivida. Muitos confundem desapego com falta de interesse, de cuidado, de amor. Nada disso. Desapegar-se é ter interesse, ter cuidado e ter amor; e apesar disso saber de seu próprio limite diante das situações da vida. É não nadar contra o fluxo das coisas. É dar liberdade e libertar-se ao mesmo tempo. O desapego é o amor em essência porque não depende de uma condição para a existência do sentimento. No filme, a personagem de Sandra Bullock havia perdido a filha de 4 anos num acidente ridículo; a não existência do ser amado, em nossa cabeça, entra em choque com nossos sentimentos pois nos dá a impressão do amor simplesmente não mais existir. Mas o amor não termina com a morte ou separação de quem amamos. O apego a esta confusão mental é que nos faz sofrer. Desapegar-se com sabedoria deve ser algo essencial à saúde em todos os níveis. Mas para tal, necessário é perceber que nossos sentimentos são sempre NOSSOS. Sejam bons ou maus, o que cultivamos dentro de nós forja-nos para a vida. E isto independe do outro. Sempre. Mas e o outro? Ah...?os outros? são nossos professores e alunos. Os outros são parte assim como eu e você. Pois foi exatamente através de uma precipitação desapegada de Amor Infinito que o TODO nos permitiu existir. Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=265209 O NATAL É VERMELHO - 26Mar2019 22:52:38
23 de dezembro. Mais uma menstruação que chega; marquei no calendário ? como sempre. E como num filme de ?Sessão da Tarde? que se repete, um ?Lagoa Azul? que já vi quinhentas vezes, sempre aquela mesma história: muito fluxo, incômodos, dores na lombar e cólicas infernais.
Meu marido, sempre paciente, às voltas com um comprimido e uma bolsa de água quente para me acalmar. E haja saco para agüentar uma mulher assim! Do-in, Reiki, orações, pajelança ? faz-se de tudo para que passe a dor de uma cólica menstrual. Às vezes penso mesmo em arrancar meu útero de dentro de mim. Quem me dera o pudesse por mim mesma! Depois que o ?filme? deu uma trégua, respirei fundo, virei para ele na cama e disse: ?Tava aqui fazendo as contas e, arredondando, sabe quantas vezes você já me viu menstruada? Respondi depois de seu balançar de cabeça ? ?nada menos que 96 vezes nestes oito anos de relacionamento.? Ele, já acostumado com meus papos de ?tamanduá-bandeira?, deu-me uma bitoca e virou-se para dormir. E eu fiquei a pensar que aquilo também é amor. E me peguei pensando no porquê de precisarmos tanto definir o que é o amor. E mais: qual sua intensidade. Isto eu amo mais, aquilo amo menos. Qual instrumento usamos para definir estes parâmetros de ?mais? e ?menos?, ?pouco? e ?muito?? Deixo meus pensamentos voar no programa sobre o Tibet e, mais especificamente sobre uma cidadezinha chamada Nagarkot, de onde se vê o mais lindo alvorecer do sol do mundo. Nesta cidade não havia água potável há bem pouco tempo atrás e os habitantes traziam água da floresta para seu consumo. Vivem basicamente da agricultura e do turismo, sem os quais praticamente sucumbiriam economicamente. Mas eles têm o mais belo nascer do sol do planeta. Palavras deles afinal. Mas quem vai discutir com alguém que consegue ver o Himalaia de praticamente todos os ângulos da cidade? Eu não teria esta coragem. Eu senti emoção de ver tudo que vi na TV; imagine se pudesse estar lá pessoalmente. Acho que isto também é amor. Há esta altura já havia perdido o sono; pus-me aqui entre vós e é para vós que escrevo . Vocês que são o receptáculo de minhas palavras cruas, nuas que se transvestem em regras gramaticais. Ou nem tanto, posto que pouco estudei para isto e pouco me preocupo com isto aliás; se escrevo bonito, por vezes, garanto que não é para impressionar ? é minha alma que busca os arabescos dentro de mim. Dou-me a vós. Isto é real. E sangro. Sangro ao escrever porque derramo-me sobre o papel. Sim! Sou das antigas. Escrevo no papel quase sempre...um esboço. E depois desenvolvo na mente e passo para o computador. O Natal é colorido. Mas basicamente o Natal é vermelho. E o que o vermelho diz a você? Paixão? Sangue? Morte? Laços de fita? Não sei...tantas coisas... Meu ano de 2011 foi tão diferente. Um marco em minha vida. Tantas coisas deixadas para trás. Tantos armários arrumados. Tantas ?roupas? recicladas. Tanta vida. Realmente não gostaria de deixar mensagens de paz, saúde, prosperidade, amor e blá-blá-blá para vocês. Isto todo mundo diz. E como boa excêntrica que sou, não gostaria de ser igual a ?todo mundo?. Poderiam pensar: ?Quanta prepotência!? E eu concordaria...muita prepotência...E é no balanço do ir e vir, do sobe e desce que falarei e falo aqui de forma tão diferente e tão comum aquilo que todos já sabem ? sobre o amor. Sem definições e medições possíveis, o amor existe para ser vivido. Em cada respiração. Em cada expiração. ?Definir? o amor é o mesmo que matá-lo; numa tentativa ridiculamente idiota, é verdade. Saibam que sinto ?o que não sei definir? por todos vocês. Saibam que todos vocês sentem ?o que não sabem definir? a todo momento de suas vidas. Simplesmente porque ?o que não sabemos definir? já existia mesmo antes de sabermos que estávamos vivos. BOAS FESTAS! Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=209471 FACES - 26Mar2019 22:52:38
FACES
Eu tenho muitas faces Vivo em muitos aspectos Em múltiplos movo-me Nasço e morro a cada respiração Viajando através das casas Perco-me do Todo, do Nada Esqueço-me, limito-me, aprisiono-me No êxtase das experiências Da individualidade do ser Sofro com isto; é o preço. Agora uma densa nuvem Cobre minha mente, confunde-me Só vejo o que estou Nada percebo do que sou Como explicar isto aos meus Outros ?eus? como eu? Não há como ? ou vês ou não. Mas como tudo é uma face de Mim É possível que haja um cego que enxergue Isto é parte de minha possibilidade Pois no fluxo movo-me Visitando e repaginando Os mesmos lugares antes sentidos Sento-me no mesmo banco multiplicado E por tantos dividido, segurando a mesma Flor renascida do solo pisado. Onde há o ponto de interseção? Quando verei novamente Sob e sobre múltiplos ângulos? As faces iluminam-se aos poucos Revelam-se uma a uma Fechando o círculo, cumprindo os ângulos Na busca eterna do ?Ouroboros? Da continuidade de Mim. Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=207442 CORPUS CHRISTI - 26Mar2019 22:52:38
Final de feriadão - Corpus Christi. Estávamos na entrada da Rodoviária Novo Rio, eu, minha amiga e minha afilhada. Aguardávamos uma carona combinada para minha amiga retornar à sua casa no interior de Minas Gerais. Eram por volta de 09 horas da manhã e, enquanto esperávamos, o papo girava em torno do final de semana agradável e dos planos para a semana que iniciava.
Eu observava tudo a minha volta ? coisa não muito comum a mim. Sou pessoa que normalmente concentra-se nos acontecimentos mais próximos, com muita facilidade de abstração. Mas neste caso, com minha amiga e minha afilhada estando sob minha ?proteção? em um ambiente como o Rio de Janeiro, todos os meus sentidos estavam aguçados. Foi quando percebi uma senhora saindo de um táxi com três malas grandes e várias sacolas cheias de brinquedos. O táxi havia estacionado um pouco afastado da entrada da rodoviária e, como a senhora não estava acompanhada, via-se claramente sua dificuldade em conduzir toda sua bagagem. Vimos então um adolescente aproximar-se dela; roupas simples ? camiseta e bermuda - pés descalços. Em um dos pés ele tinha manchas brancas, como aquelas de vitiligo. Ele a ajudava a carregar seus pertences. Os dois caminharam juntos até a entrada do terminal, bem a frente de onde nós estávamos. Ela simplesmente deixou o rapaz tomando conta das malas e sacolas e dirigiu-se novamente ao táxi. Não consegui ver o que ela fez pois confesso ter ficado atônita com aquela ?aparente confiança? dela por um desconhecido ? eu não parava de observar a atitude do garoto junto à bagagem. De repente, surgiu um segurança local e pegou com brutalidade o braço do menino arrastando-o para fora da Rodoviária e dizendo alguns impropérios. O menino xingava o guarda, cheio de raiva. Neste meio tempo a senhora retornou do táxi e, normalmente começou a pegar as sacolas ? nós apenas a observávamos. Ela dirigiu-se a nós e perguntou se poderíamos ?olhar? suas malas até que ela levasse as sacolas até a plataforma onde ela embarcaria para Teresópolis. Eu disse a ela que não havia problema algum mas que estávamos esperando um carro a qualquer momento e que, se o mesmo aparecesse, nós precisaríamos abandonar as malas ali mesmo. Então perguntei como se não soubesse: - A senhora está sozinha? Ela respondeu: - Eu ?sou? sozinha. E num ímpeto eu respondi: - Não é não! Ela retrucou que a plataforma ?era logo ali? e saiu sem esperar que eu dissesse mais alguma coisa. Logo em seguida ela voltou e apanhando suas três malas me disse: - Viu? Eu não disse que era rápido? Então perguntei a ela se havia dado algum dinheiro ao garoto que a ajudara. Ela disse que não com um tom de ?claro que não?. Eu então retruquei que ele a havia ajudado a carregar as malas até àquele ponto e que ficara tomando conta de suas bagagens enquanto ela resolvia sua corrida com o taxista. Ela simplesmente olhou para mim e disse que ele só havia carregado suas bagagens durante uns poucos metros ? senti uma certa desvalorização pela atitude do garoto. ?Mas ele não tinha obrigação de fazer isto....? ? eu disse. No que ela retrucou, já encaminhando-se para a plataforma: - Nem eu tenho obrigação de fazer o que estou fazendo ? e apontou para as malas. ?Mas isto é algo muito maior!? Agradeceu-me e pôs-se a caminhar com dificuldade carregando suas malas. Eu e minha amiga ficamos comentando aquela atitude. A forma como ela havia considerado a atitude do menino que, em momento algum, fez qualquer movimento no sentido de lesá-la. Sabemos que a Rodoviária Novo Rio é um antro de assaltantes, daqueles que puxam as bolsas, saqueiam carteiras dos bolsos e saem correndo. Seria mais do que comum algum destes assaltantes ou meninos de rua tentar algo contra uma senhora só e cheia de bagagens. Aquela atitude havia me soado mal. Isto porque apesar de saber dos perigos que o Rio de Janeiro oferece, eu entendia que a lei da troca nos relacionamentos humanos, em qualquer nível, sempre ensejava um valor. Afinal, ela não fora ajudada compulsoriamente ? ela permitiu esta ajuda. Na porta da rodoviária há diversos carregadores cadastrados que podem ser contratados em caso de necessidade. Ou seja, se aquela senhora quisesse realmente pagar por aquele serviço, ela o teria feito. Mas não. Ela considerou a atitude do menino uma ?gentileza?. Ora, se eu a tivesse ajudado, até entendo. Mas um garoto, todo roto e com pés descalços? Para mim ficou claro que ele queria um trocado. E ele nem teve tempo hábil para pedir-lhe algo porque fora expulso do terminal antes que ela voltasse para resgatar sua bagagem. Comentávamos sobre isto, eu e minha amiga quando fomos surpreendidas pela tal senhora novamente dizendo ter perdido sua carteira. Ela estava com a bolsa toda aberta, e procurava sua carteira. Estava trêmula e não entendia o que havia ocorrido. Dizia atordoada que não sabia como iria sair do Rio porque todos seus documentos e dinheiro estavam nesta carteira, bem como seu celular ? e andava de um lado para outro. Eu estava perplexa. Ela finalmente afastou-se, mas antes parou em frente a mim e disse: - ?eu devo mesmo estar para receber uma grande dádiva de Deus para isto ter acontecido!? Eu não tive tempo nem para comentar nada (e nem o faria). Internamente minha reação não fora outra senão rir. Rir sim. Não da situação da senhora. Passar por aquilo é algo tétrico. Eu mesma já me vi nesta situação uma vez quando tive minha bolsa rasgada no metrô de São Paulo. Fiquei sem nada. Tive que ligar para um amigo e pedir dinheiro emprestado. Ri porque ainda me surpreendo com o pensamento humano que insiste em achar que ?deus? é responsável por tudo e, pior ainda, que temos que sofrer muito para depois sermos muito felizes. Ai! Partindo do princípio de que somos responsáveis por cada milésimo de nossos atos e pensamentos, talvez seja fácil entender porque tantas pessoas são infelizes na vida. Eu e minha amiga ficamos ali, ainda aguardando a carona, discorrendo sobre aqueles acontecimentos tão rápidos como um relâmpago. Como a vida nos brinda como ensinamentos a todo instante... Cabia a mim analisar tudo aquilo? Teria eu capacidade para entender? Lógico que não. Eu não conhecia a senhora cheia de bagagem bem como o garoto com pés descalços que tiveram uma interseção naquele terminal rodoviário em uma bela e ensolarada manhã de domingo. O que consegui ver e entender foi apenas e tampouco através de minha limitada visão. Mas foi este o ensinamento que absorvi. E tentei manter-me isenta de sentimentos quanto aos acontecimentos. Mas pensava. ?Será que, se ela tivesse outra disposição com relação àquele menino, e ao pensar em recompensá-lo pela ajuda, em um movimento de procurar sua carteira, não daria falta da mesma a tempo de não perdê-la? Teria ela esquecido a carteira no táxi ao efetuar o pagamento? Questionamentos cujas respostas jamais terei. De qualquer forma, aquele enredo me ?enredou? ? e aqui estou. Tive que escrever. Ao sair da rodoviária, já tendo embarcado minha amiga e minha afilhada, vi o rapaz novamente fazendo exatamente o que já havia feito antes. Ficara claro para mim que ele não era ?gentil? por natureza. Ele precisava mesmo de algum dinheiro. Normal. Seja para o que fosse. Internamente, um pensamento assaltou-me e pensei por um instante em recompensá-lo pelo ?suposto? julgamento indevido que senhora cheia de bagagens, sem documentos, sem dinheiro e ?só? havia feito. No entanto uma voz logo veio e disse: - ?não se envolva com este episódio de cuja vibração você não pertence. Não cabe a você definir justiça ou injustiça. As pessoas não se encontram por acaso.? E segui adiante caminhando em direção ao ponto de ônibus. ? ?preciso planejar minha semana?. Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=190592 CERTEZA - 26Mar2019 22:52:38
Na certeza da respiração Confio meu corpo ao colchão Dormiria eu se não o soubesse? Só de pensar a pele estremece Só há duas certezas fatais Na incerteza do amanhecer A morte que me leva do cais O ar que me invade de você. Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=156473 VARIZES DA ALMA - 26Mar2019 22:52:38
Todos somos manifestações Divinas. Somos pequenos pedacinhos de Deus por onde Sua energia flui. Quando esta energia fica bloqueada em função de nossas frustrações, desenganos, erros, medos e etc, a interrupção deste fluxo contínuo de manifestação (energia) fica prejudicada, gerando doenças em algum nível, seja ele emocional, mental ou físico ? ou mesmo poderia eu dizer nos três, já que isto acaba gerando um efeito ?cascata?. Uma coisa interfere na outra.
Considere uma questão: imagine o fluxo de energia Divino como nossa corrente sanguínea. O coração (Deus) bombeia nosso sangue (vida) através de nossas artérias (nossa alma e corpos sutis). Quando esta energia encontra algum tipo de bloqueio (entupimento nas artérias), sabemos muito bem o que ocorre. Cito isto como padrão mais sério, nos casos mais avançados onde o desequilíbrio de nossas funções está quase ou totalmente prejudicado pelos incessantes maus-tratos impostos. Á nível holístico o que ocorre é que ?engessamos? nossas vidas. Ficamos paralisados e este ?coágulo? formado por coisas mal resolvidas fica cada vez maior sufocando-nos dia após dia. Falando de níveis menos complexos e, ainda comparando nosso sistema à circulação sanguínea, podemos exemplificar de forma clara como há a criação desordenada das nossas realidades. Normalmente não costumamos ter consciência de nossos corpos e isto nos leva a viver no ?automático?. Ora, sabemos pelo princípio básico da Física que ?na natureza nada se perde e tudo se transforma?. Se possuímos um fluxo contínuo de energia Divina alimentando nosso organismo e o mesmo encontra algum tipo de obstáculo para Sua manifestação, é óbvio que esta mesma Energia procurará alternativas que independem de nossa vontade. Daí toda sorte de doenças e desequilíbrios de toda ordem. A Energia flui e, se não for de forma saudável, será de alguma forma qualquer, pois Ela necessita continuar seu caminho. São varizes! Sim. O fluxo sanguíneo é sempre o mesmo, mas se não possuímos veias fortes o suficiente para suportá-lo o que ocorre são as temidas varizes. Vou explicar. Neste caso, levando o raciocínio para nossas vidas, as varizes são meios alternativos que a Energia encontra de se manifestar. Há varizes superficiais, aquelas que interferem só na estética. Há varizes profundas que requerem um tratamento mais adequado. De acordo com o sentimento empregado por você nesta ou aquela situação de sua vida, mesmo nas angústias, você criará, ainda que ?bloqueando? o fluxo natural de Energia Divina, uma alternativa mais branda ou não para si mesmo. Isto quer dizer que, sempre que nos tornamos mais conscientes de nós mesmos, de nossas questões, nosso funcionamento, quando enfrentamos nossos ?demônios internos?, criamos cada vez mais ?novas veias? para que o fluxo sanguíneo da vida se dê de forma mais tranqüila e fluida para nosso sistema. È claro, ficam as cicatrizes, as manchas das ?varizes?....mas é a vida. É o aprendizado. Exerça sua vontade de forma consciente e alternativa. Livre-se de uma única e possível solução para a sua felicidade. Se você foca sua energia em apenas uma opção, pode estar sobrecarregando demais seu corpo e limitando seu poder de manifestação concedido pelo próprio Senhor da Vida. O que importa é o sentimento e não a roupagem com a qual ele se apresenta. Recicle as formas e mantenha íntegro seu sentimento. Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=150910 RUGAS DA BELEZA - 26Mar2019 22:52:38
Gavetas cheias do nada
Livros e revistas que gritam Prazos de validade expiram De coisas que não lembrava existir Acúmulo. Roupas pouco usadas Maquiagens ultrapassadas De máscaras que teimam cair Dos padrões que quero sair Ombros arcados do peso invisível Acomodação com máscara de calma Costume aceito que aos poucos Dá endereço incerto à alma Abro novamente a gaveta Lá no fundo a caixa preta De meus sonhos guardados, amarrotados Caderno velho, lápis desbotados Loucuras bem guardadas Em puro coração alado Fogem do corpo cansado Pelo tempo sempre escravizado Percebo que o velho, O usado, a pele seca E a mão trêmula Sempre por aqui estiveram Rugas da beleza Vincos de alma acesa Onde a luz de passos incertos No amor põe sua mesa. Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=150460 CAMINHO DO LOUCO - 26Mar2019 22:52:38
(Homenagem à Nanã e à todas as avós em todos os tempos)
Vivi alguns dias Lá Vivo mais dias Aqui Voei nas asas da sutileza E fui puxada pelo gosto Do chumbo, do imã Que me prende, denso Porque é bom - e mal Não conheço nada igual E nem diferente Acostumei-me a esta gente Mas quiseram que eu fosse Que saísse daqui... Eu que só queria O Reno navegar Nem sei se posso dizer Que de tudo gostei Acho que por Lá não há Amo ou deixei de amar Nem consegui falar Não deve haver isto por Lá O fato é que agora Que sei o que não sabia Que vi o que antes não via Passo os dias Aqui Olhando pra Lá E quando Lá estou Dói o coração porque Aqui ficou Entre um e outro Não há mescla possível São água e óleo A interseção sou eu Mas há uma linha fininha Onde consigo ficar Lá e Aqui Ao mesmo tempo ? onde sinto paz Vou-me no fluxo ? não posso parar Percorro meus pés numa corda Que de bamba nada tem Vacilo eu com meus pés no chão Mas vou ? ora Lá ora Aqui Na certeza de que vivi. Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=143501 INSCREVE-TE
Insere o teu MAIL Painel controlo
Sondagens
Autores
Procura
Quem linka
Favoritos
Livros
Luso-Entrevistas
Membros Klub
Dó Ré Mi
Musicando | ||||||
| |
||||||
