José Torres
O homem sonha, a obra nasce. Deus existe? - josetorres - 11Mar2008
A planície do teu olhar tem janelas de cortinas finas. Em cada uma se abre em luz a íris do teu ser, formando um arco sobre o infinito de mim, e sobre as coisas todas, na órbita de todas as coisas meninas.E nasce pela boca dos teus olhos o dia.
Na barriga escura da noite, foste parteira dos poemas de um Deus a ti devotado, e és senhora de todos os castelos sem guarda, onde mora um desejo de escrita chamado, onde vivem palavras como filhos meus.
Procuro-te e tenho-te em cada verso do teu olhar, haja o que houver.
Porque és inspiração e poema. Porque és mulher.
O homem sonha, a obra nasce. Deus existe?
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=31837
Verdade ou consequência - josetorres - 08Mar2008
Podes ser quem tu quiseres se te conseguires ver de fora. Consegues beber um copo com aquilo que não gostas em ti?Já convidaste o teu egoísmo para sair contigo? Quem pagou a conta?
Perguntas sem respostas encerram soluções, basta quereres.
Porque demora a chegar o tempo da verdade?
Mandei a pergunta por correio azul, mas ninguém acusa a recepção.
Eu mandei por correio azul, ninguém responde?
A tristeza vivia nos peixes, veio um tubarão e comeu-a satisfeito.
Que faço eu nos olhos dos peixes?
Ontem morreu um Homem.
Tinha olhos sépia, media o custo de cada palavra dita ao longo da sua vida.
Ninguém reclamou ainda o corpo.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=31450
Juro! Não vou escrever sobre o Dia Internacional da Mulher - josetorres - 08Mar2008
Já disse.Juro que não vou escrever nada sobre o Dia Internacional da Mulher…
É um dia de que não gosto.
Parece-me pouco, muito pouco.
Faz da mulher uma espécie de mulher-a-dias do tempo. Como se fosse preciso lembrar ao outro sexo, que dizem, é forte, que ela tem um dia nesse dia, que é um oito.
Ando ás voltas…
Não gostava de cair no ridículo de ser mal interpretado por algumas mulheres. Aquelas que pensam que têm direito a um dia no ano. Que é justo, acertado, perfeitamente louvável…
Eu não acho!
Em primeiro lugar, porque esse dia que é um oito, tem um lado comemorativo que faz dela uma espécie de estátua ou pior ainda, lápide a ser descerrada.
Uma mulher não se descerra, ama-se!
Não, não me peçam! Não vou escrever sobre o Dia Internacional da Mulher.
E depois, em Março…como se fossem andorinhas que não chegaram a emigrar…Que nos outros 364, cozinharam, lavaram, estenderam, passaram, rasparam, mudaram fraldas, e melhor ainda, trabalharam.
Não!
Mas nesse dia, o oito que têm no coração, solta-se.
Atrevem-se algumas a pensar que poderão ter mais que 3,65% de um orgasmo nessa noite. Imaginam um marido sem futebol nos olhos, sem álcool na voz, e até em alguns casos…que não lhes bate.
Chegam até a pensar num jantar a dois que lhes traga o homem romântico que nunca tiveram.
Não, não vou escrever sobre o Dia Internacional da Mulher.
Apesar de estar seguro do espaço nobre dado pelas televisões, apesar de ter quase a certeza de que na Assembleia da Republica se tratarão temas importantes, apesar de não ter certeza nenhuma da bondade de ninguém.
Hão-de evocar por certo nesse dia, Natália e Florbela, Agustina e Sofia, e para mal dos meus pecados, tenho quase a certeza…Rosa Lobato Faria.
A mulher que eu evoco é outra, 364 dias por ano. Inteligente, segura, independente.
O outro dia, o que me falta na conta, uso-o para ser Homem, no dia quase de orgulho dos meus semelhantes.
Uma espécie de oito.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=31366
Mil vezes - josetorres - 03Mar2008
Mil vezesMe dei aqui
Vezes mil
Que ainda não vivi:
Um milhão
De sentimentos
Sem fim
De pura emoção
Vezes mil vezes
O amor partilhado
E ganho em mim
A conta
Só tem um resultado:
GRATIDÃO.
Notei há pouco ter feito o comentário Mil aqui no Luso e fiz este poeminha para vos dar.
Obrigado a todos os Lusos, por este ano de estadia completado há dias, do fundo do meu coração.
Bem hajam.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=31198
Dueto com o meu cão - josetorres - 01Mar2008
Dueto com o meu cãoO meu nome é Gaspar
Sou um libertino Podengo
Já devem ter ouvido falar
Deste cão que não é trengo
O Zé Torres, esse febril
É o meu dono sem ser
Foi-me buscar ao canil
Mesmo antes de eu nascer
Que o seu desejo por um cão
Era uma coisa do destino
Lida na palma da sua mão
Por uma cigana sem tino
Ainda me lembro quando cheguei
Embrulhado do enjoo
Do susto enorme que apanhei
Neste meu primeiro voo
Lá onde eu estava hospedado
Nunca avistei o céu
Era uma espécie de condenado
Sem antes ter sido réu
Hoje vivo perto do paraíso
Sou dono e senhor do lugar
Agradeço ao poeta sem juízo
Tudo o que me fez ganhar
…
Eu, é que aqui te agradeço
Gaspar que não és cão
O mais homem que conheço
Neste mundo sem perdão
Sou o Zé Torres poeta
Disso podes ter a certeza
Uma espécie de pateta
Sem direito a sobremesa
E estas nossas conversas
Nem precisam de sofá
Basta o olhar com que versas
Na conversa que não é vã
Também eu bem me lembro
Quando aqui chegaste agoniado
Seria Agosto ou Setembro
E fui eu que limpei o vomitado
Recordas-te do texto que te dei(1)
Em conversas já passadas?
Do primeiro livro que editei
Nas tuas lágrimas molhadas?
Eras como hoje, cão mais homem
Que muito homem que por aí anda
Sem esperança que o retomem
No canil de quem nele manda
(1)http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=7470
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=31055
O preço de ler um livro... - josetorres - 01Mar2008
Se ler um livro é viajar sem sair do lugar, descobrindo novas paisagens ou lugares para os olhos verem, sentindo o pulsar de povos e gentes tão diferentes das que conhecemos, novas culturas... Então, por favor, eu quero poder viajar em low-cost.Pode ser?
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=30750
Carta a mim mesmo - josetorres - 27Fev2008
Caro amigo,Tenho o grato prazer de lhe comunicar que a sua Inspiração partiu de viagem.
Saiu logo que a manhã se levantou, acompanhada de uma mala cheia de livros e algumas mudas de roupa.
Pediu-me para lhe avisar, que se demorará pela capital “Denãofazerputo”, uma vez que ficou de se encontrar com a Vaidade e a Presunção.
A Fama, ficou de lá ir ter mais tarde, não sendo certo que o Reconhecimento apareça, uma vez que anda muito ocupado.
Pede-lhe a Inspiração que olhe pelos meninos: Criação e Arte, o melhor que puder.
Há poemas no congelador, duas latas de textos por abrir, e uns restos de uma crónica para serem aquecidos.
A Criação tem que tomar o xarope para a garganta, pois tosse muito de noite. A Arte sabe a medida, não se preocupe…
Não deixe as meninas ficarem acordadas até muito tarde, que têm a mania de escrever nos sites da Internet, e vigie por favor os seus excessos em endereços menos próprios, que estão, como sabe, na idade difícil da adolescência.
Sem mais de momento, saiba que na ausência de sua amada esposa, poderá contar comigo para aquilo que necessitar.
Não hesite em chamar-me, caso a tarefa se revele demasiado penosa para si.
Sempre ao seu dispor,
A sua amiga de sempre
Esperança.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=30401



