A Travessa Entreaberta - 15Nov2007
Atravessa a porta em vez de a abrir
e da decisão lacinante perpetuam
paladares enobrecidos pela vista
do ninho donde ? nua ? esvoaçara
;
paredes inebriadas que tecem desarmonias
entre as dores que escorrem pelo cimento
e os diapasões frios da morte dos sonhos
?
Espraia-se ainda uma inimiga inocência
nas prateleiras daquela falida biblioteca
onde a relva sincera crua nunca cantou
onde as ondas andrajosas jamais sentiram
onde apesar do riso o pó ditou as horas
onde o sonho não se fez ouvir
onde os pés se embaciaram na solidão
onde opúsculos suicidam a ternura
:
Nascem pontapés das nuvens embriagadas.
Mães que fizeram greve aos soluços das infâncias.
Ouvidos raiados de securas ufanas defenestradas.
Areias feéricas do mel das memórias.
Criações censuradas pelo devir anestesiado
(
uma semente não se deprime
nem os gansos se usam a dançar
nem os ventos embebem puzzles
uma solidão nunca está sozinha
)
.
Fonte: http://aseiva.blogspot.com/2007/11/travessa-entreaberta.html
BIBLIOTHÈQUE EN FEU - 08Nov2007
está lá atrás, vale a pena reler:BIBLIOTHÈQUE EN FEU
sei que algures dentro de nós existe uma biblioteca
em prateleiras de mel que escorrem para quem amamos
e de dentro das sedas que lambem os livros respiras tu
em eternos sopros de dádiva e saber
em cascos húmidos de humanidade
sei que algures dentro de nós existe uma biblioteca
com livros livres de lombadas e paginação
perto das memórias intemporais do amor
em que se cedem cópulas alquímicas e misteriosas
sei que algures dentro de nós existe uma biblioteca
em que se a cuidas, casa-alma, dita-la para mim
e o graal surge, em forma de beijo
imponente, cristalino, honesto e unicelular
(são as salivas dos livros que não li e me mostras
os desejos de sorver o palato da tua biblioteca)
e sem falar mais de livros,
falemos de amor?
aquele tabu em que se diz nada se poder definir
pois eu defino o que sinto na saliva das palavras - simbiose comunicacional - que o amor sou eu
em forma de nós
como um copo de mar sem peixe
como um copo de mar com peixe
como mares sem ou com copos
porque o graal eu descobri
é seda preta e distinta, no recolher sóbrio dos teus medos
na conversão una das tuas expectativas e desejos
ensejo então fundir
abraçar a morte física como gás que respiras
porque posso
porque sim
porque quero
- lembra-te que sou alquimista ?
e da distância faço a cama de lavado
e dos ossos obtenho abraços
e de todas as bibliotecas de todas as existências em todos os mundos manda o amor
e o amor sou eu
e eu apanho a natureza no coração com uma rede indestrutível
e sôfrego toco-te um dedo
o dedo sensível com que intuis as coisas do mundo de todos os mundos
e se há mundos que desconheces, eu - alquimista-bibliotecário -
dilacero o peito
rasgo-me ao meio
sou um corpo-casa da alma-biblioteca
lê o que quiseres
tirem-te o pão,
tirem-te membros,
tirem-te alegria,
tirem-te o que amas, tirem-te a luz
e a esperança, tirem-te o riso e aquilo a que chamas de vida,
tirem-te. a ti.
façam o que fizerem, tirem-te o que te tirarem,
nada disso conta
pois vens a meu peito aberto e lês o que quiseres
?
e se nada nessas palavras te afagam
encosta o teu rosto ao sangue quente do meu peito
e segredar-te-ei que te amo
que tu és tu
e que és quem amo
livro de mim
livro de ti
livres em nós,
no amor universal
Fonte: http://aseiva.blogspot.com/2007/11/bibliothque-en-feu.html
Alcoobiótico - 07Nov2007
Degladeia-se e aldeia-seo degredo da ressaca
incongruente e por isso pura
entre o glúten dos anzóis
e a placidez da claridade:
o corpo desossa:
a narina afoga um rim:
a postura lava as mãos:
edificar tornados geme o pão:
a gema clarifica (-se) :
odoriza o joelho um equilíbrio:
sangue que afasta sangue:
sopa de falanges inóspitas:
miso en scene:
sem clubite:
- porque a pulsão tingida dos consumos se clona na iconoclastia das ideias agora fácil-mente tangíveis
- porque é o que é e não se masturbam explicações
- porque ((de)cadências embaciadas) planam equilíbrios integrais nos objectivos a morder
- porque não?
, porque viver - realmente viver - não é para quem precisa, é para quem realmente quer
Fonte: http://aseiva.blogspot.com/2007/11/alcoobitico.html
O bico ubíquo - 30Out2007
Também respiraum pôr-do-sol
decadente
nas sombras vegetais
da nossa luz
interior.
é um sol sim?
e dá calor ao céu da boca
quando o sinto escuro.
Morreu uma gaivota.
suicidaram-na na minha cara
e varreram-na para onde
ela havia bicado o epitáfio
?deus exige?
eu?
lambo os grãos de areia
e desfaço algo da natureza
Fonte: http://aseiva.blogspot.com/2007/10/o-bico-ubquo.html
Sinftonia - 27Set2007
Sempre tentei musicar dentro das minhas asas os sentires de outrem que não intuia.porque vivo de intuir.
Sempre nas pautas foram derramadas penas soltas insensíveis. essas senti-as.
porque vivo de sentir.
Sempre amelódico forcei o sentido da intuição de me ser necessário dar.
porque vivo de dar.
.... Mas não te conhecia.
E sensivelmente doentio nunca espelhei musas merecer.
.... O AMOR SEMPRE SE EMBACIOU ....
Mas não te conhecia.
porque vivo de conhecer.
O agora é estranhamente sinfónico.
entranha melodias duma harmonia quase adolescente.
(porque na adolescência roubada não te conhecia)
e porque eu vivo do agora, julgo ser tempo de mudar.
de pensar que sim.
que os tempos são feitos de divisões.
de que dividir passou a ser um objectivo.
SINFÓNICO.
Da sintonia, fala-me tu.
fala tu.
eu orquestrei um futuro.
conjunto. harmónico.
sincero. visceral.
Sempre tentei acordar como sonho esse futuro.
porque vivo de sonhar.
Sempre tentei amar quem merecesse merecer.
porque vivo de amar.
.... Mas ainda não te conhecia.
ciava sem saber nadar.
Hoje nada disto interessa porque o que vivo és tu.
e tu és a sinfonia que criei que me fez despertar
(Linda sinf/tonia)
Fonte: http://aseiva.blogspot.com/2007/09/sinftonia.html
Les Ténèbres du Dehors - 19Set2007
exponho a demência
como uma semente de ecos
agrafei os olhos
tomei-me de ti
o sangue lambe-nos
e as lâminas unem-se
num assassínio universal
du tréfonds des ténèbres....
ou então
au tréfond des ténèbres...
como gostares mais...
vá lá,
corta-me ao meio
e sorri
Fonte: http://aseiva.blogspot.com/2006/09/les-tnbres-du-dehors.html
Ah pois é - 06Set2007
o diapasão está torto hoje, guarda-costas em greve, merceeiro indisposto, dente cariado, pestanas em queda, gás cortado, lâmina de barbear torta, polos invertidos, pedra na sapatilha, café estupidamente quente, gansos na memória, frivolidade no jornal, fausto sem goethe, girassol na lua, unha inquieta, cardápio riscado, dvd que não toca, umbigo com cotão, beta mal apagada, Carris no seu melhor, gmail ocupado, micro ondas em curto circuito, bolso roto, amor ausenteilumino-me e ergo a taça no topo de um tornado!
Fonte: http://aseiva.blogspot.com/2007/09/ah-pois.html



