Freud Não Morreu
Arroz de passas - freudnaomorreu -
AquiNão há el rei para comer coxa
Aqui
Não há bobo para trinchar osso
Tudo se atravessa em volta da travessa
Limpa beiços cor carmim
Arrota sonhos sem colesterol
E meu amor vai desertar
Vai com o fumo
Já longe... longe vem
Mas aqui não entra!
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61558
Estore - freudnaomorreu -
É uma noite em que não chove, nem luaFala vento puxado
Chora gato estripado
Esconde rua deserta
Esta é uma noite em que ninguém se aventura
Entre paredes
Uivam saudades
Caiadas pelo rasto das estrelas
Foi uma noite
Foi-se alguma vida
Arrastada pelo….
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61399
Minutos antes de... - freudnaomorreu -
Sinto-me escoar pela tampa do saneamentoPombo namora com pão de anteontem
Semáforo mudou a cor
Mala nérvea dá vida e corda ao engravatado
Outro é puxado pelo cão Algibeira
Criança tropeça em mim
Mãe reclama mais atenção
Velhote limpa a bengala
Não fosse estar assim…
Daria pulos mancos de contentamento
Afinal, uma chiclete colou-se à testa
Pombo já namora com bala
O pão humedeceu
Trânsito seguiu…
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61243
Glory Hole - freudnaomorreu -
Nem toda a gente vê o mundo de boca abertaNem todo rosto acaricia outro sem o tocar
Na ordem das divisões…
É assunto ordinário
Porém, há quem reprove torná-lo extraordinário
Senso só…
Apenas e só…
Simplesmente, um pedaço de carne
Detalhe feito de retalho
Urdido em desejo
Cava na cova que se abriu!
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61172
45 rpm ou nem tanto assim... - freudnaomorreu -
e roda saiaroda saia
amor já fez
amor já dançou
quebra no canto
quebra canto
amor já foi
amor já dançou
tudo em metade
tudo metade
amor já era
amor já dançou
linha oblíqua vai traçar rumo
pois os pés fogem ao segundo
E na essência agita meu corpo
Um corpo que fez
Um corpo foi
Um corpo que era
O corpo dançou
O corpo dançou
O corpo dançou
O corpo dançou
O corpo dançou
Não é capa
Não é agulha
Apenas giro para girar
Giro para girar
Giro para girar
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61091
Bottle - freudnaomorreu -
Alcatifa enxugaPingos de gente
Pão enxuga
Caldo de sangue
No zapping das vidas
Deposita-se um adeus
Observa
Fulmina
Agita o fundo
De nós…
Não haverá episódio
Argumento esvaziou
Palavras partiram
E alcatifa enxuga
Néctar de gente
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=60808
Dueto sem assunto - freudnaomorreu -
O dueto, sem assunto, nasce no preciso momento em que se esgota o assunto…E a cabeça é, tal e qual, uma xícara disposta a virar farinha no chão de tacos comido pelos calcanhares.Trespassam-me ideias!
Lá vem a puta com sua tesoura de poda … Sai, menos frondosa, no jardim mais próximo.
Acerca-se gente cercada de rosas. Não lhes sei o nome mas cheiro-lhes perdições. Os bigodes salivam… As conas batem-se por um lugar ao sol com vista para a lua que há-de sorrir… Bocas mastigadas por palavras macias… Como lençóis enamorados pelo hímen.
Peneiro ideias!
Lá vem o corno com sua tesoura de poda… Sai, mais esgalhado, no próximo jardim.
Acerca-se gente cercada de putas. Não lhes dei o nome mas intuo-lhes vontades. Os bigodes mastigam… As conas esgueiram-se por um cantinho da lua com vista para o sol que há-de destapar… Bocas salivadas por palavras sujas… Como lençóis manchados…
O assunto, sem assunto, tornou-se monólogo…
O dueto, sem assunto, virou mimo entre hemisférios…
Partiu-se!
Colou-se!
Mas a cabeça continua, tal e qual, uma xícara sempre disposta a virar farinha no chão de tacos comido pelos calcanhares.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=60630
O meu poema meloso - freudnaomorreu -
Se amor é vernizDeixa apagar com acetona mais pura…
Se amor é bolacha
Deixa embeber na tigela de sonhos…
Faz cócegas
Faz migalhas
Deixa rasto
Se amor fosse sem antes ter vindo
Era lírica tentativa de fuga!
Mas afinal quem é refém?
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=60410
À atenção da sanita - freudnaomorreu -
Sem exageroHá muito cu…
Ora empinado pleno de jovialidade
Ora carcomido pelo bicho do tempo
Território sagrado para uns
Porta de dois sentidos para outros
Sem exagero
Há muito cu…
Fossem caras e subjugariam as coroas
Apostas são múltiplas
Na ostentação… fazem-se notar!
Na discrição… usam pantufas!
Sem exagero
Há muito cu…
Pena tanta falta de papel
Mas o cu é amigo do ambiente
Antes isso que beato
Pobre diabo vilipendiado
Em verdade, em verdade, vos digo:
Sem exagero
Há muito cu!
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=60251


