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OLHAR GRIS - 26Mar2019 22:50:51
OLHAR GRIS

Olhos claros; olhos raros,
De dores e amores...
Amor?... Amores amaros!
Olhos cujas cores
São tão queridas, meus caros,
Entre os amadores.

Olhos frios, arredios,
A olhar-me de viés
Pelas sombras, mais sombrios
Vêm ver-me através
Quem entre brilhos e brios
Fora outro revés...

Olhos vagos; olhos vãos,
Que me olham sem ver.
Olhos magos. olhos sãos
Que os vejo sem ter,
Se em falas cheias de nãos,
N'eles me saber.

Olhos belos; olhos vis,
Em fuga ao infinito...
Distantes (n'outro país!)
Perdem-se-me aflito:
Fogo Fátuo, o olhar gris
Luz triste e bonito...

Olhos claros; olhos raros
De dores e amores...
Amor?... Amores amaros!
Olhos cujas cores
São tão queridas, meus caros,
Entre os amadores.

Betim - 22 09 2018

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=339346

POR TI - 26Mar2019 22:50:51
POR TI

Eu por ti fiz o que pude...
Fosse muito ou não,
Passei de gentil a rude
Ao estender-te a mão.
D'oravante, Deus te ajude
Co'a tua ilusão!

Sem nunca te negar nada,
Sequer tu me és grata!
Passas por mim enfeitada
Toda em ouro e prata
Como eu fosse pela estrada
Um cão vira-lata.

Vistas altas quem se crê
Ou princesa ou rainha.
Quem te viu e quem te vê:
Tu, quando eras minha,
Rias sem quê nem p'ra quê
Co'o pouco qu'eu tinha.

Cuida que por teus caminhos
Zelem mais por ti
Do qu'eu com os meus carinhos
Em vão consegui.
Hoje junto dos sozinhos
Choro o quanto ri...

Eu por ti fiz o que pude...
Fosse muito ou não,
Passei de gentil a rude
Ao estender-te a mão.
D'oravante, Deus te ajude
Co'a tua ilusão!

Betim - 18 09 2018


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=339236

NEM EU - 26Mar2019 22:50:51
NEM EU (fado)

Não me queres mais? Nem eu!
Amor dado em vão
No vazio se perdeu...
Antes solidão
Que penar ao lado teu
O meu coração.

Não és rainha? Nem eu rei!...
Se tu não me amaste,
Eu tampouco a ti amei.
O amor que negaste
N'outros braços encontrei
Depois que passaste!

Nada queres? Nem eu quero!
Segue o teu caminho
Que tudo que agora espero
É seguir sozinho
E não à esquerda d'um zero
Qual contigo caminho.

Não me queres mais? Nem eu!
Amor dado em vão
No vazio se perdeu...
Antes solidão
Que penar ao lado teu
O meu coração.

Betim - 07 09 2018

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=339028

AS PAZES - 26Mar2019 22:50:51
AS PAZES

Sei que não sei evitar
Teus olhos vorazes.
Mas, se quiseres voltar,
Faz-me como fazes:
Amando-me após brigar,
Façamos as pazes.

Ama-me com tal furor,
Que quando te fores
Te guarde saudade, ou pior:
Eu caia d'amores!...
E ao voltares, sem pudor,
Já te aceite as flores.

Fala-me assim envolvente,
Qu'eu nada te nego.
Cala-me mais frequente
Em teu aconchego.
Vem e serás tão-somente
A quem eu m'entrego.

Sei que não sei evitar
Teus olhos vorazes.
Mas, se quiseres voltar,
Faz-me como fazes:
Amando-me após brigar,
Façamos as pazes.

Betim - 05 05 2018

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=335701

MALFADADO - 26Mar2019 22:50:51
MALFADADO

Todo dia o dia todo,
Ando contrariado
Por saber-me d'algum modo
No amor malfadado...
Tanto que nem me incomodo,
Quando dá errado.

Eu mais dia, menos dia
Desisto de tudo:
Qualquer mínima alegria,
D'amor sobretudo,
Me põe em má companhia
E eu me desiludo.

Tal e qual jogo d'azar
Outro amor em vão
Me fez quase acreditar...
No fim, bem ou não,
Tão-só soube revirar
O meu coração.

Todo dia o dia todo,
Ando contrariado
Por saber-me d'algum modo
No amor malfadado...
Tanto que nem me incomodo,
Quando dá errado.

Betim - 02 04 2018

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=334754

Perguntei ao teu olhar - 26Mar2019 22:50:51
Perguntei ao teu olhar
se tinhas por mim amor
mas dissestes a chorar
não perguntes por favor.

Quando a Alma nos agita
e as palavras contradizem
as verdades que não ditas
só os olhos no-las dizem.

Mas se os olhos nunca mentem
porque o faz a tua boca
que eles digam o que sentem
pois a vida é tão pouca.

O silêncio também fala
quando tira a voz da gente
quando a tua boca cala
o teu rosto nunca mente.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=334318

É inútil acreditar - 26Mar2019 22:50:51
É inútil acreditar
quando alguém já nos mentiu
fere sempre até sangrar
da mesma forma que já feriu.

Uma espada de dois gumes
que trespassa até matar
duas chamas num só lume
é inútil acreditar.

É inútil acreditar
em olhos que já mentiram
insistem sempre até magoar
num amor que não sentiram.

Mas um dia há-de haver fim
o que começa há-de acabar
nessa história, ai de mim,
se voltar a acreditar.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=334317

Instante de Mim - 26Mar2019 22:50:51
Meu amor tu não te lembras
daquelas horas, das penas,
das ilusões que a vida tem;
das tristezas sem carinho
de tantas pedras no caminho
que o teu amor me deu também.

Trago tanto por escrever
muita coisa por dizer
na solidão dos dias vagos;
dou ao Fado o meu destino
e os meu olhos de menino
trazem sonhos magoados.

Se eu soubesse que esquecendo
apagava o que fui sofrendo,
acredita, seria o fim;
nunca mais me encontrarias
porque afinal tu não merecias
nem um instante de mim.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=333705

O Mar das minhas Mágoas - 26Mar2019 22:50:51
O mar das minhas mágoas
Já não chama p'lo meu nome
Mas nos meus olhos profundos
Passa um vento que consome
Todas as mágoas do mundo.

Porque eu amo a poesia!
Amo a rosa que nasceu
Entre a noite e a madrugada
Que em seguida floresceu
Mas ficou abandonada ...

E hei-de amar o amanhã
No cantar dos seus regatos
Hei-de amar a multidão
Levar o Fado nos meus braços
Com amor no coração.

Os meus olhos não se esquecem
Dos sorrisos que fizeram
Ao chorarem docemente
O destino que me deram
Tantas vezes tristemente.

Amo a dor que já não dói
E os silêncios que ela faz
Amo a luz do meu olhar
A magia que ela traz
Ao ver os dias a passar.

Poema para a Fadista Celeste Rodrigues.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=332919

Sol Triste - 26Mar2019 22:50:51
Nos braços do sofrimento
Tudo é triste, tudo é vão
E é em vão o pensamento
Que dá voz à solidão ...

Sol Triste dos dias meus
Dá luz aos meus cansaços
Traz-me novamente Deus
P'ra que eu durma nos seus braços.

Mas se vier a Primavera
E eu já tiver morrido,
(Ai Senhor, ai quem me dera!)
Nestes versos estarei vivo!

Já que a dor está no sangue
Esconde ao menos quem a fez
P'ra que a Alma sempre cante
Mal lhe doa outra vez ...

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=332915