Menu

Do Luso-Poemas

Categorias

Destaque

Blogs-RSS

AudioBlogs

Homenagem

Notícias

Blogosfera

Consagrados

Já!

BP



Poemas

Filhos da noite - 26Mar2019 22:50:33
Quando a noite cai
nasce do martírio
o verdadeiro ódio
Pelo desamor, pelo rancor
Nesta estrada escura
onde nos perdemos
em todas as lágrimas
que nunca merecemos
me perco no relento
no doce do seu veneno
Filhos da noite somos nós
desalmados pelo vento
e amados pelo sofrimento?

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=342835

O VELHO PARTIU - 26Mar2019 22:50:33


Eu não vi o velho senhor nascer, você viu?
Sei que caminhou por estes lugares agrestes em dias tristonhos
Sei que desbravou as matas cerradas em cortes ousados
Sei que não soube esperar...
Eu não vi o velho senhor nascer, você viu?
Sei que procurou novos lugares no mundo vasto
Sei que pescou do rio o que o rio que tinha pra dar
Não caçou ursos,não viu ursos...pois ursos não havia
Eu não vi o velho senhor nascer, você viu?
Sei que entendia antigos idiomas de tribos reclusas
Sei que ouvia os animais como ninguém mais ouve
E ele cantava...o velho senhor cantava como ninguém mais canta...
Ninguém!
Eu não vi o velho senhor nascer,você viu?
Sei que andava pensativo em dias outonais
Sei que apreciava a chuva no telhado barulhento
Sei que aprendeu a viver com pouco...
Não soube dizer pra ninguém os segredos
Não soube expelir de si as mentiras
Não soube nada!
Eu não vi o velho senhor nascer,você viu?
Sei que entendia os mistérios mais que as verdades
Sei que amou em silêncio e odiou com reservas
Sei que desistiu sem suspiros
Sei que resistiu sem justiça
Sei que se foi...
Eu não vi o velho senhor nascer,você viu?
Ninguém ainda vivo deve ter visto...
Sei que não esta na sombra da arvore esta tarde...
Sei que não caminha na orla da mata como antes...
Sei que não voltou...
Eu não vi o velho senhor partir...você viu?

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=342834

Homem de pedra - 26Mar2019 22:50:33
Homem de pedra, como granito
Homem de pedra, valente e mentiroso
Homem de pedra, que dizia ser o de mais gabarito
Homem de pedra, quebradiço e ''xistoso''.

"Xistoso'' da vida alheia
E todos os demais inferiores
Homem de pedra, não gosta de colher o que semeia
Homem de pedra que quebrou e todos lhe foram superiores.

Homem de pedra, mania de ser fino e sabichão
Homem de pedra, negra e fria
Homem de pedra, que irá sozinho até ao caixão
Homem de pedra, que recebe muito menos do que realmente merecia.



Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=342720

Todos os nomes que te dou ... - 26Mar2019 22:50:33










Escrever é uma das coisas belas da vida, faço-o fluente e excelentemente, com a exagerada consciência tópica, própria de um cego e também a de um louco utópico, moderadamente creio, tenho uma razão sensível encastrada na ponta dos dedos, na língua, nos dentes e outra, dentro das orelhas, nos típicos ouvidos, falo discretamente com a alma a linguagem primitiva e divina dos templos acrósticos, escrevo nas paredes o idioma académico dos corrimãos "graffitados" para que todos entendam e será breve o que digo, pois sou órfão dos olhos e tenho de ser rápido a dizer, já que a sensação é forte e cheia de fé nos sentidos quando escrevo o que penso e digo, também porque escrever "a fio" é bom, faz bem à alma, porque não o fazer assim é banal e vazio, sem tino, só tem inconvenientes, por isso eu dito da consciência o que vale a pena ser tido em conta e apenas digo, se valer a pena ser contado, é o meu modo existencial e excepcional, refiro-me a braços e pernas, todas essas coisas que me não pertencem para sempre, assim é a escrita, a última dimensão sentida da alma , a melhor divisão da casa, onde me reúno comigo, renuncio à vida e pronuncio expressões invulgares, que já não me pertencem, o caso destas agora e de todos os nomes que lhes dou de que lhes dei, poesia é a mais provável alcunha de todas as coisas, desde as mais simples e leves que a vida , embora nem tão belas nem tão ocultas, quanto a luz devassa contaminada com o escuro breu e o ouro puro quando mutuamente se cobiçam e se culpam pela cupidez mundana nos olhos fracos dos humanos seres, qualquer semelhança com os deuses é comédia e farsa, desonra é pintura, poesia de poetas, alcunhas para os que se confessam decorativos servos da luz do dia e das trevas da noite, esguios anjos, caídos da guerra no pó da Terra, na lama simples, mas que dá vida, poesia é o apelido de tudo isto e do que ainda não foi dito apenas por miopia humana, cegueira, amargura, a fome e a sede. Defino-me como a excepção, não entendo os outros nem pretendo ser entendido por todos, não ajo nem ando como a maioria das pessoas nem me sinto culpado por não me fazer entender, é uma questão de consciência não uma tragédia. A fome e a sede são insignificâncias perante a existência de cada um, mas concorrem e especializaram-se, assim como a hipóxia, cada uma à sua maneira e forma para o triunfo da mente humana e para que as palavras falem às vezes connosco e as entendamos. A noção simples de existência é esmagada pelo desconforto da sede e pela fome sobretudo, mais que pela miséria insana, embora sejam uma trindade. Já o que me costuma manter vivo é um desejo de comer e beber, absurdo para alguns e para outros compreensível; a regra ?Sine qua non?. Defino-me como a excepção não pela inteligência ou habilidade, mas pela simplicidade como água de uma fonte ou um pedaço de pão na mão de um miserável esfomeado, mas autentico, assim sou eu e sempre, prefiro o desconforto pois é este que me faz pensar, aquilo em que creio, contudo produz em mim um sentimento de libertação pois acredito na constituição de uma sociedade indivisível. A Propósito de dizível, no seu teorema mais básico e como fiel de balança, é missão da escrita mais pura, a confissão da loucura e esta consiste na exponencial capacidade de cada um em incestar termos, palavras/verbos, inventar temas, escrever novas frases, fundir em poemas inovadores ferro e magma, signos tão finos que brilhem no conteúdo e no escuro, que treinem os nossos corações atletas e os mais profundos medos, emoções, metas na condição de amanhecerem na lua, do lado magro e a sermos exímios maestros, mestres magos, gregos tanoeiros, não só mas também, nos nossos humilhantes fracassos e crassos erros. Insistamos, incestemos almas, matérias primas e espíritos ! Não há caminhar outro, suave e louco, embora o caminho não seja curto, crio (criamos) um longo e magno paradigma, não importa que nos indiciem de loucos e ansiosos; a minha, a tua ambição é amanhecer na Lua, do lado magro, nós outros longos, largos de ombro a ombro, o espaço infinito e vasto, debaixo de um só braço e o comando.
Brinquei tanto tanto, ao homem legível e dizível, com iminentes faixas brilhando em tule de catedral, brinquei enquanto era "bem-visto" por todos e divisível por dois, como se fosse eu protagonista do que conto, pois que agora, vista o que vista não me encontro mais no "Grand Palais" de cristal, nem na vitrina da "Gant", desisto do brilhante fato de caxemira branco e preto, sou invisível na plateia até por um mero espectador sentado quer na coxia, como na plateia, a orquestra pode continuar a tocar, monótona e igual, apagada como todos os dias, nada me salvará da morte permanente, assim fui eu sempre, a propósito de indizível, eu hei-de um dia descobrir o que digo quando escrevo, meus olhos nasceram em greve, meu entendimento é breve e leve, quanto um cometa inédito, segue e some, some e segue, assoma-me a loucura quando escrevo, assola-me o que escrevo e quando o faço assemelho-me a um louco, sendo ele, eu próprio noutro ...noutros. Acredito no silêncio e no amor quando posso, Pois que na posse não há amor nem silencio, impor é pro amor como o azeite para a água ou o vinho na comunhão das almas puras, falso e vicioso o som que faz um padre se o vaso é apenas vaso e a água apenas água e fraude.
Trago em mim dentro inteiras frases, a poesia explica-nos pelas sensações e grafias mais profundas e subliminares, não se aplica o mero entendimento nela, ele é aparente podendo ser falso, ilógico, xeno frásico, bem melhor seria e é imitar-me a mim, eu próprio, elevando a dois, multiplicado pelo melhor exponencial, o conhecimento que tenho a menos, pois poemas são como as tabelas periódicas, que nunca estão completas, há sempre um elemento em falta e uma órbita que o complementa, um planeta, uma lembrança assim como "Carência literária" ser alcunha, quando a "literatura" não é assim tão pura, nem tão bela, a minha não é, sofro numa mistura de desapego e querer, faço na minha vida o que a ciência ainda não provou possível, reduzo os tolos sorrisos doutros, nas silabas e os modos com que cobrirão mil dos meus livros e às cinzas os mortos.
É difícil explicar a um demónio a dor da chama e o que pensa e sente um santo em forma da mula dos infernos ou um Semper fidelis crente perante a morte eminente na pira do santo ofício e a orgia de sentimentos que o poeta sente, quando escreve e sabe que se está condenado ao purgatório pelo que diz sem que importe, ele escreve com a expressão no rosto do demónio que tem dentro e que doi numa dor de noite permanente, do desterro de ser gente, tão difícil de explicar por números primos e embora as opiniões nunca fizessem florir uma amendoeira mas na minha cabeça, o centro fica em flor como que por encanto quando penso, da dor opinião não tenho nem tento dar opinião, nem tento,
sorrio por outros motivos além de não gostar de estar sério, não ter inimigo nem senhorio nem presídio (mesmo que esotérico), aliás a nossa semelhança com os deuses é real, tão natural e antiga que às vezes me parece mentira e doutras parece que o beijo é sério, não é fé nem mistério. Nunca soube julgar tão bem como fui julgado por jogar mal com as palavra " melhor e bem", em melhor é imitar-me a mim, eu próprio, elevando a dois, multiplicado pelo melhor exponencial, o conhecimento que tenho a menos e vejo crescer mais alto em mim o que digo do que o que penso, o coração faz peso pra um lado embora procure o equilíbrio, desabo na sátira de mim próprio, será a poesia o caminho errado, a alegoria não é um sentimento, sonhar não é uma anátema nem uma oferenda, é sonhador quem sonha por si, não por ver sonhar outro, com a alegria passa-se o mesmo, é como no luto, no opróbrio, no desalento.
Embora as opiniões nunca fizessem florir uma amendoeira mas na minha cabeça, o centro fica em flor como que por encanto quando penso, da dor opinião não tenho nem tento dar opinião, nem tento, sorrio por outros motivos além de não gostar de estar sério, não ter inimigo nem senhorio nem presídio (mesmo que esotérico).
Somente à esterilidade de interesse e inutilidade do meu entusiasmo se pode dever a falência como filósofo, sábio e/ou pensador, não tenho falácias que atravessem vedos, redes, muros e sejam a salvação dos espíritos mais endurecidos e obscuros, nem gozo intimo seguramente de pragmáticos sofismas que aumentem a minha credibilidade como ser consciente, é vital haver, possuir-se e despertar um sentimento de valência e entusiasmo em torno do trigo, para que agite ao vento as espigas, o valimento ou invalidade epistemológica é uma variável indefinível, imaterial e etérea, efémera, como silencioso e solene é o trigo sem vento que o abane, a textura é secundaria como o azedume no vinagre que não se quer num bom vinho, assim é o meu sentimento perante a vida, a sensação interminável e inefável que me arranca da realidade demasiadas vezes quando uso da inteligente doença da qual tenho de fugir que é o pensar sem vitoria nem renuncia simbólica, devo abster ?me ou protagonizar expressões teoréticas plásticas de qualidade superior ou apenas apostar na prosaica criação menos dolorosa e desprovida de sentimentos e de esforço com que cada um cada qual pode sentir-se talentoso e reclamar percepção artista da mais solida estrutura possível gerada num universo geracional e bi-dimensual como este onde me encerro escrevendo, no azedume do vinagre , no cafelo da parede, na ignorância quase orgânica destas quatro paredes de cela em nau difusa ou carruagem "Wagon-lit" do "Lusitânia Express", não sou um solitário geriátrico, solitário é ter sangue novo, como um Simbad, ter talento de marinheiro de verdade, sangue azul cobalto de um místico asceta, título monástico de Conde varão de Monte Cristo ou ser apenas solidão, parecida a peste, marca comercial reles, rótulo de Sonasol gasto, decadente, detergente industrial, inferior a preço de sabão macaco em azul desalento, limão verde, amarelo e velho, suco gástrico e mijo, serventia de mata-borrão, azulejos de crematório em bege, solidão de velho, descrente !
Escrever é uma das coisas belas da vida, esquecer é outra coisa, embora possa ser uma lição de vida, quando nos lembramos do mal que nos fez aquilo ou isto, este ou aquele outro, basta lembrar um bocadinho para apreciarmos o que sobra do resto do dia e o que somos, não o que fomos, esquecido, pois bem, escrever está certo e não é peso morto, recordar com a memória que nos emprestam não é, nem será todavia longe aqui perto, nem realmente pouco, excepto pra quem viveu e morre, espiritual e estritamente cego na sua relação consigo próprio, e relativo a "todos os nomes que te dou", por estarem inponderadamente certos.


(Excerto de "Do que era certo")







Joel Matos 03/2019
http://joel-matos.blogspot.com









Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=342796

MENINA VIRTUAL - 26Mar2019 22:50:33
MENINA VIRTUAL
Autor: Carlos Henrique Rangel

Minha solidão de momento
é um tempo...
Um bom tempo para pensar
em meu caminho
e nas coisas que encontro
no caminho...
Vontade de descartar
o que peguei no passado
e ficar com o que encontrei
no espaço...
Minha solidão silenciosa
quase berra por um contato.
E me sinto limitado...
Vontade de tocar em algo
de beijar algo
de sentir algo...
De ouvir seus escritos e dizer
vem, fica comigo
me abraça, me mostra sua timidez...
Deixa eu te beijar o braço
como daquela vez...
Minha solidão de momento
só me faz pensar em você.
Meu algo
Minha coisa
Minha menina virtual...


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=342831

EU - 26Mar2019 22:50:33
Habitante do vazio
vago por dias de pura busca
para a cura de todas as doenças
para a cura do tédio.

Habitante do vazio
sofro por existir
cego ou enxergando de mais
tateou no escuro
e não consigo encontrar
nenhum corrimão
que me tire desse poço.

Tudo é uma questão
de aceitação da pura
nua e crua realidade
sem censura
de que não existe
cura para o tal do tédio
que definha meu ossos.
Me alimento de migalhas
do tempo
boio em um vago espaço
onde posso me ver
por dentro
ver através de meus olhos
até que novamente
eu me encontre cego
deitado no fundo de um
buraco frio e escuro
chamado Eu.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=342824

Onda do Mar - 26Mar2019 22:50:33


Onda do Mar

Onda do mar que te espraias
Na orla do areal
Em espuma de brancura
Às moças beijas as saias
Que de forma natural
Arregaçam com candura
Aos limites naturais
Deixando nos areais
Uma visão de doçura.

Juvenal Nunes









Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=342820