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Poesia Avulsa
Macau - 20Mar2019 14:31:00
Vista nocturna de Macau (parcial). Foto tirada da Taipa, por António Martins Da varanda deste prédio vislumbro num só olhar a apoteose macaense perante tantas das luzes que iluminam tuas noites saltam-me ideias na mente imaginárias e verdadeiras será que existo ou tu existes nesta globalidade planetária e só me apetece mirar-te observar-te no horizonte ante as pérolas que dão nome ao rio das águas que te abraçam num imenso delta de memórias e quero agarrar o universo com uma simples palavra ou em silêncio ficar simplesmente dizendo nada. António MR Martins Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2019/03/macau.html Curriculum vitae - 01Mar2019 14:55:00
Imagem da net. Há morangos a descoberto por entre a folhagem do teu olhar e a luminosidade constante num sorriso de tanta espera há um trejeito uniforme que se complementa com o agridoce da tua voz e nesse composto vinhedo são versos e poemas que te enfeitam o perfil tua presença é o antídoto para todas as maleitas e é no mel dos teus lábios que as abelhas da perfeição acolhem as colmeias de todos os sentires. António MR Martins Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2019/03/curriculum-vitae.html Sonora apoteose - 16Fev2019 19:31:00
Imagem da net. Tenho a voz enrouquecida por entre os meandros do silêncio todos os sons inquietantes sintetizam a parcialidade audível de todas as formas polarizadas nem o altifalante sustenta os decibéis aleatórios à conformação a carapaça do ruído jaz na ambígua insustentabilidade de toda a sonoridade ambiental na mais digna cidade de todas as falas. António MR Martins Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2019/02/sonora-apoteose.html Lília Tavares - 16Fev2019 12:44:00
Lília Tavares, imagem da net. Guardadora de ventos Cheguei a casa quando anoitecia. Ainda quente, o vento empurrava-me o vestido. Por um instante senti-me ave levada por brisas, plumas e enigmas. A aragem entontecia-me de prazer. Queria ficar nos braços daquele vento. Imaginei que o anoitecer me pertencia. De pé, senti o teu corpo. O meu, aberto e solto, deixou-se ir. Sou apenas uma guardadora de ventos. Lília Tavares, in ?Nomes da Noite?, página 50, Colecção ?A Água e a Sede?, edições Modocromia, Janeiro, 2019. Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2019/02/lilia-tavares.html Arnaldo Saldanha Abreu - 12Fev2019 15:42:00
Arnaldo Saldanha Abreu, imagem da net. Transparências Em cima da mesa uma ampola de sangue. A criança fervilha de curiosidade para agarrá-la. Uma luz branca incide no tampo envernizado. O reflexo percorre a transparência do pai estilhaçando as delicadas extremidades de vidro. O homem verte vinho para um jarro e tinge de tintura a água. A mulher abre um frasco de amor e escurece de vermelho fatias de pão. As filhas têm tranças de cabelo azeitona e de trigo dourado. À mesa todos se riem por ele ter a boca pintada de ameixa. Na manhã seguinte quebrou a ampulheta e destruiu o mecanismo de conta-gotas. O reflexo imobilizou-se no rapaz que cresceu e que vê pelas mãos à transparência. Arnaldo Saldanha Abreu, in ?Transparências e outros anexos?, página 7, edição de autor Euedito, 2014. Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2019/02/arnaldo-saldanha-abreu.html as pedras da vida - 09Fev2019 19:25:00
Imagem da net. na terra a pedra solta que pontapeio desirmanando-a de tantas outras situadas em seu redor quantas vezes terá sido pontapeada e deslocada do seu poiso tal como todas as outras. no intenso percorrer do caminho uma pedra maior em que me sento num prazer inigualável de descanso do corpo. outros corpos através dos tempos ali terão descansado no desgaste inabalável da vida desgastando a pedra em delicado polimento. a vida é o desígnio dos corpos que percorrem os caminhos mais díspares e distantes por onde tantas pedras bloquearam e desbloquearam o simples devaneio de biliões de corpos e todos os seus sentidos. António MR Martins Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2019/02/as-pedras-da-vida.html Inez Andrade Paes - 09Fev2019 19:23:00
Inez Andrade Paes, imagem da net. [há pássaros no fundo deste oceano] há pássaros no fundo deste oceano. e olhares exangues ao lado das conchas saberás tu cantar como eles? ou neste mar o sal não cura? tantas feridas abertas e cruas sofrem como lapas à deriva roçando no chão as línguas abertas à margem de todos os rostos sentidos e os olhares dispersos no meio de tudo aquilo que é mar aquilo que é fundo V.10.16a Inez Andrade Paes, in ?À Margem de Todos os Rostos?, página 29, edições Coisas de Ler, colecção de poesia Clepsydra, 2017. Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2019/02/inez-andrade-paes.html Na profundeza de todas as águas - 07Fev2019 22:55:00
Imagem da net. No fundo das águas o mistério do equilíbrio do mundo. Lá bem no fundo há um valioso segredo que traz as ondas a acariciarem cada grão da areia de cada areal. Para além de toda a insossa penumbra há um salgado segredo em cada mar em cada oceano. Na profundeza de todas as águas a voz que alimenta o sequioso sentir do planeta quiçá do universo. António MR Martins Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2019/02/na-profundeza-de-todas-as-aguas.html Gisela Gracias Ramos Rosa - 05Fev2019 19:19:00
Gisela Gracias Ramos Rosa, imagem da net. A memória A memória não é uma câmara de munições perdidas ou uma matriz de caracteres catalogados por exclusão ou defeito ou pela soma destes a memória é um processo e um espelho do esquecimento quando os planos se sucedem em áspero e espesso desgosto mas é também focagem suave nas secções em que a consciência se abriu atravessando o tempo pleno e duradouro. A memória é uma pedra esculpida em silêncio. Gisela Gracias Ramos Rosa, in ?A pedra e o corpo?, página 78, edições Poética Edições, Novembro de 2018. Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2019/02/gisela-gracias-ramos-rosa.html Infrequências - 01Fev2019 21:23:00
Imagem da net. ?E, todas as entidades que ignoro sentem que as amo, que aprecio a inutilidade dos seus olhos,? João Rasteiro, in ?A Auscultação da Triangularidade? ?cego não é aquele que não vê, é todo aqueloutro que não quer ver!...? olhares amorfos, brutalmente amorfos, não aprofundam a evidência da singularidade observadora numa amplitude consciencial. um dia a raiz do mundo voltará a ser raiz, de qual quer modo. há um apetrecho inseguro quando se olha de soslaio ou se transmite um cabisbaixo amedrontado. o trânsito humano descambará num dia maior e todos os sinais luminosos passarão a ser meros estorvos paisagísticos. mas nesse dia continuará a paisagem a existir? ou a sua raiz secará de inexorável modo?!... António MR Martins Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2019/02/infrequencias.html Teresa Teixeira - 01Fev2019 10:56:00
Teresa Teixeira, imagem da net. Poema subcutâneo Por baixo da minha pele há caminhos insuspeitos vias sacras consentidas labirintos construídos a cinzel. Por baixo da minha pele há rios que me repartem em mil pedacinhos d?alma marés vivas, margens calmas barcos pedaços de noz ventos que doem na voz das sereias que ouso ser nas veias de me não ser. Imprevisível mulher que em noites de lua cheia se transforma em mim profunda e rasga em dor fina e funda o espartilho de seda que é minha pele labareda secando rios adentro queimando fios por dentro? Por baixo da minha pele tenho jardins proibidos onde cultivo as chuvas mais secretas. Sob o véu que faço delas tenho um jardim permitido onde semeio as dúvidas dos poetas: ?Por baixo da nossa pele? ?somos o céu ou o inferno?...? - Por baixo da minha pele? sou as linhas de um caderno. Teresa Teixeira, in ?Labiríntimos?, páginas 10 e 11, edições Lua de Marfim, Setembro de 2015. Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2019/02/teresa-teixeira.html Henrique Pedro - 30Jan2019 19:03:00
Henrique Pedro, imagem da net. XXV Arroubos místicos Muitas vezes me dá para tal e não é só à hora do crepúsculo É quando menos espero Dá-me para me abstrair de tudo tudo misturando num estranho afecto envolvente de profunda paixão interior numa só ideia global sem sombra de mal que mistura eterno e infinito verdade e santidade É uma ânsia interior de explodir em amor uma imparável vontade de bem fazer um desejo de me libertar de ser do tamanho do Universo e no reverso humilde e pequenino como letrinha verso São arroubos místicos que não emanam da terra nem dimanam do céu Brotam dentro de mim e são aquilo que sou Henrique Pedro, in ?Anamnesis?, páginas 69 e 70, edições (Henrique Pedro (prosa y poesia), Janeiro de 2016. Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2019/01/henrique-pedro.html palidez mórbida - 29Jan2019 11:42:00
Imagem da net. onde deslizam os afazeres das vozes incompreendidas se expõem as fragilidades das massas comuns que enveredam pelo facilitismo nefasto. a firmeza está arredia de todas as atitudes e a verdade desfaz-se a cada encruzilhada armadilhada. não há força restante para tentar a imposição de um diferente ritmo. a apatia descrente e a estabilidade comodista são estratagemas presentes enraizados a cada passar de um tempo novo. a casuística torna-se avidamente incongruente. António MR Martins Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2019/01/palidez-morbida.html Carla Furtado Ribeiro - 28Jan2019 16:58:00
Carla Furtado Ribeiro, imagem da net. FOSSES UMA DESERTA PRAIA Fosses uma deserta praia ou uma terra nua Ou um lago esquecido, uma face da lua A menos iluminada, a mais crua Ainda assim, ainda assim? Fosses um fogo apagado, uma noite fria Uma pedra disforme, um abismo Uma lança, uma espada ou uma arma disparada Ao vazio do céu, à máscara da vida Ainda assim, ainda assim? Te tomaria ao nevoeiro da noite, à bruma do dia E num esgar do tempo ou num recanto Ainda que imperfeito de harmonia Eu te amaria, eu te amaria, eu te amaria? Carla Furtado Ribeiro, in ?[Em Silêncio]?, página 36, edições Chiado Editora, Agosto, 2013. Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2019/01/carla-furtado-ribeiro.html Simulada sagração - 25Jan2019 18:36:00
Imagem na net. As pétalas à tona do teu rio viajam com aromas de maresia, num desencadear em corrupio de mistérios, fulgor e fantasia. Sobram-te sentidos tão relaxantes em majestosos acordes tocados, num mundo de cavaleiros andantes com tantos destinos desencontrados. Esse teu rio caminha para um mar em percursos de intenso desbravar, catarse dum poema maltratado. Na água profunda e escura se reflectem as imagens-bravura na chegada ao destino traçado. António MR Martins Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2019/01/simulada-sagracao.html Joaquim Pessoa - 25Jan2019 17:31:00
Joaquim Pessoa, imagem da net. [A vida está assim] A vida está assim: por telha aberta chove o sangue em cima do calçado fazendo o coração ficar alerta não vá o mar chegar ao empedrado. Adormecer num banco de jardim. Sonhar coisas fugazes e ternas deixando que alguns ratos de cetim me subam às varizes pelas pernas. O tempo (esse animal) sofre de anginas e já não há sequer zaragatoas, overdoses, sprays, penicilinas que troquem coisas más por coisas boas tal como não se inventam as vacinas contra o sorrateirismo das pessoas. Joaquim Pessoa, in ?Sonetos Preversos?, página 59, edições Litexa Portugal, 1984. Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2019/01/joaquim-pessoa.html Prelúdio sensual - 23Jan2019 19:06:00
Imagem da net. (em rima Jotabé) Cercas teu corpo quente de amoras, nesta espera em que te demoras. Com requinte te perfumas de rosas trocando todos os versos por prosas, compondo atitudes melindrosas incólumes de nuances airosas. Perante tantos gestos teus, sem nexo, descobres invulgarmente teu sexo. Neste anseio vão te enamoras e num sentido amplo te entrosas em desígnio vil e desconexo. António MR Martins Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2019/01/preludio-sensual.html Ana Paula Lavado - 18Jan2019 19:58:00
Ana Paula Lavado, imagem da net. TEMPO Já não tenho tempo para frustrações Nem para me torturar com questões De somenos conveniência. De ouvir vozes desumanas Frases feitas de gentes tiranas Falsos pudores e falsa decência. De tudo, prefiro ser louca E deixar que a vida pouca Me possa tranquilizar a mente. Até que um dia a sorte Me leve de encontro à morte E eu morra serenamente! Ana Paula Lavado, in ?Mentes Perversas e outras conversas?, página 58, edições Edium Editores. Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2019/01/ana-paula-lavado.html Lúdica reflexologia - 18Jan2019 19:32:00
Imagem da net. Abordam-me as terapias do conhecimento sensorial num apelo ao manuseamento infinito. Os pés saltitam nos seus trejeitos inconformados perante a ávida lucidez das mestras-mãos galopantes. À medida de cada modelação as palavras comportam o intimismo e os ombros de forma desmedida encolhem-se taciturnos ao fundo de cada vértice benfeitor. Tremem as pernas levemente e a circulação desavinda instala-se de modo escorreito numa suavidade moderada. Já a cabeça não armazena a pensante areia poeirenta, filtrando a efervescência rumo à acalmia constante e o corpo adormece serenamente, conquanto os óleos da esperança apaziguam todos os conceitos com a sua pujante essência, infiltrando-se moderadamente, num pronuncio eficaz, por todos os poros submissos. Finalmente a inesperada leveza no mais profundo dos sentires. António MR Martins Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2019/01/ludica-reflexologia.html Simples poema de Natal - 21Dez2018 18:33:00
Foto de António Martins, Ansião 2015. É Natal o céu está tão cinzento uma criança segue a chorar a cada esquina um lamento nesta quadra de encantar. É Natal as calças do menino rotas os sem-abrigo sem nome as políticas continuam loucas a cada travessia da fome. É Natal há presentes inacabados às questões respondem não e os simples reformados vão ver mais dez euros na mão. É Natal suspira-se a toda a hora as cirurgias não se fazem a saúde tanto demora e os doentes quase jazem. É Natal há tantos coletes amarelos que estrebucham dissabores uns descalços outros com chinelos vão esquecendo seus amores. É Natal passa um dia e noutro tempo tudo volta à mesma forma neste mundo de contratempo onde ser-se pobre é a norma. É Natal os corruptos são os maiores nestas leis que nos calem os juízes são bem menores e sem honra nada valem. É Natal nasce o Menino nesta noite depois olha à sua volta e antes que leve um açoite vai-se embora por revolta. António MR Martins Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2018/12/simples-poema-de-natal.html Vencedor da "1.ª Edição do Prémio Literário Arte CresSendo" - 2018 - 15Dez2018 18:08:00
CONCURSO LITERÁRIO ARTE CRESSENDO | A Arte CresSendo tem o prazer de anunciar António MR Martins como VENCEDOR da «1ª. Edição do Prémio Literário Arte CresSendo», na categoria de «Poesia», com a obra «Manobras Sub-reptícias». Recordamos que esta iniciativa tem como objetivos: (i) incentivar à apreciação e produção literárias, (ii) desenvolver hábitos de escrita e de leitura partilhada, e ainda (iii) promover a rentabilização do tempo livre através de actividades criativas. Desde já, os nossos PARABÉNS ao vencedor, e um imenso OBRIGADO aos(às) restantes participantes. O poema foi selecionado de entre vários pelo Júri presidido por Carlos Marinho, diretor do espaço CresSendo e coordenador do projeto Arte CresSendo, e integrado por @Amaro Figueiredo, @Sara F. Costa, e @Diana Nogueira. A todos(as), deixamos o convite para que continuem a seguir os nossos projetos, e a estarem atentos(as) aos desafios que em breve lançaremos. Segue abaixo a obra: "Manobras sub-reptícias Uma fechadura que falha a desenvoltura torna-se um entrave para a manipulação, faz extravasar os nervos ondulados da simples pasmaceira. O furto compensará toda a descompensada criação e os arreios da memória confundem-se com o tempo de cada demora para a mais singela execução. Há uma chave pendente para o clique de cada abertura e a ferramenta escondida traz o segredo do amplo conhecimento de qualquer gatuno. Nada resta de significativo, que permita armadilhar a consecução de qualquer obra, mesmo que seja a última, e o espólio estará sempre à mercê de cada um, bastará colocar à tona da diligência a sua soberba ligeireza. Haja pretendente profícuo para tal façanha!..." Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2018/12/vencedor-da-1-edicao-do-premio.html Triste sina - 14Dez2018 17:38:00
Imagem da net. Amarrotam os detalhes do pensar numa amálgama trépida de luz, incendiando amargos sem sarar em tudo o que o imo reproduz. Baralham-se respostas e ilações na efémera conjectura da voz, apela-se a tantas concertações ao acordo desfeito de todos nós. Suprime-se a certeza ligeira de modo a não produzir asneira que resfrie tal desentendimento. Galgando-se muros ou as montanhas com tantas trapaças e artimanhas não nos soltamos de tanto tormento. António MR Martins Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2018/12/triste-sina.html Vera Sousa Silva - 11Dez2018 23:15:00
Vera Sousa Silva, imagem da net. À chuva Descemos a rua sozinhos no meio da multidão de gente sombria, vestida de preconceitos e virtudes. A palavra aquece-nos, o corpo cede ao desejo e a esquina mesmo ali, escura, sorridente, convidativa! O vestido sobe, as mãos descem, segredam-se vocábulos, misturam-se gemidos, e entras em mim valente, voraz, entre gritos sussurrados? O prazer acomoda-se no meu corpo quente e tu? Tu jorras torrentes de amor, encharcas-me de desejo entre carícias? E a chuva segue indiferente o seu destino! Vera Sousa Silva, in ?Bipolaridades?, página 59, edições Lua de Marfim, Maio 2012. Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2018/12/vera-sousa-silva.html Apocalipse - 08Dez2018 21:58:00
Imagem da net. Nas ásperas caminhadas da vida se tolhem os acicates supridos, naufragando na baía esquecida entre tantos sonhos adormecidos. São vãs as palavras reconfortantes desembainhadas à toa, sem pensar, se esgrimam mechas dilacerantes ante o aportar de cada penar. Saem luzes do céu de modo brusco vil contaminação em lusco-fusco desencadeando tristeza sem fim. Pelos gritos estrebucham os gestos todos fogem em movimentos lestos? então, alguém grita: - Esperem por mim! António MR Martins Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2018/12/apocalipse.html Dalila Moura Baião - 07Dez2018 22:28:00
Dalila Moura Baião, imagem da net. ASSOMBRO DE ASAS No intervalo das árvores o céu rompia o útero das nuvens e cumpria o mistério de ser rio. Alagadas as horas, invertiam o tempo na corrida e deslizavam para norte ocupando as águas na terra rasgada de vozes e assombro de asas. O peixe e o pão! Divino banquete nas bocas famintas guiadas num verso rezado a propósito da seiva a circular nas mãos onde cabia uma maré de contentamento ou simplesmente a fúria fervida de beber a dor de nada ter. Os pássaros inventaram ninhos onde a esperança se entrelaça! É preciso colher novo voo e soltar as mãos! Dalila Moura Baião, in ?Quando o mar corre no peito?, página 46, edições El Taller del Poeta S. L. (Espanha), 2014. Fonte: http://poesia-avulsa.blogspot.com/2018/12/dalila-moura-baiao.html INSCREVE-TE
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