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António Martins

Infrequências - 26Mar2019 22:51:41

?E, todas as entidades que ignoro
sentem que as amo,
que aprecio a inutilidade dos seus olhos,?

João Rasteiro,
in ?A Auscultação da Triangularidade?

?cego não é
aquele que não vê,
é todo aqueloutro
que não quer ver!...?

olhares amorfos, brutalmente amorfos,
não aprofundam a evidência
da singularidade observadora
numa amplitude consciencial.

um dia
a raiz do mundo
voltará a ser raiz,
de qualquer modo.

há um apetrecho inseguro
quando se olha de soslaio
ou se transmite um cabisbaixo
amedrontado.

o trânsito humano
descambará num dia maior
e todos os sinais luminosos
passarão a ser
meros estorvos paisagísticos.

mas nesse dia
continuará
a paisagem a existir?

ou a sua raiz secará
de inexorável modo?!...

António MR Martins


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=341823

No fundo das águas
o mistério
do equilíbrio do mundo.

Lá bem no fundo
há um valioso segredo
que traz as ondas a acariciarem
cada grão da areia de cada areal.

Para além
de toda a insossa penumbra
há um salgado segredo
em cada mar
em cada oceano.

Na profundeza de todas as águas
a voz que alimenta
o sequioso sentir do planeta
quiçá do universo.

António MR Martins


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=341822

palidez mórbida - 26Mar2019 22:51:41
onde deslizam
os afazeres
das vozes incompreendidas
se expõem
as fragilidades das massas comuns
que enveredam
pelo facilitismo nefasto.

a firmeza está arredia
de todas as atitudes
e a verdade
desfaz-se a cada encruzilhada armadilhada.

não há força restante
para tentar
a imposição de um diferente ritmo.

a apatia descrente
e a estabilidade comodista
são estratagemas presentes
enraizados
a cada passar de um tempo novo.

a casuística
torna-se avidamente
incongruente.

António MR Martins


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=341821

Pelo teu rosto - 26Mar2019 22:51:41
Pinto teu rosto com as minhas mãos
levadas pelo traço das memórias,
torno-te jovial perante os nãos
de tantos episódios e histórias.

Coloco um sombreado no olhar
um ligeiro sorriso em teus lábios,
o rubor na face traz o despertar
de todos os pensamentos mais sábios.

Aliso a tua eloquente testa
e desenho cada pormenor que resta
com um sentido próprio e invulgar.

Finalizo com as curvas do queixo
neste teu retrato, que aqui deixo,
uma simples lembrança para te dar.

António MR Martins


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=341748

Apocalipse - 26Mar2019 22:51:41
Nas ásperas caminhadas da vida
se tolhem os acicates supridos,
naufragando na baía esquecida
entre tantos sonhos adormecidos.

São vãs as palavras reconfortantes
desembainhadas à toa, sem pensar,
se esgrimam mechas dilacerantes
ante o aportar de cada penar.

Saem luzes do céu de modo brusco
vil contaminação em lusco-fusco
desencadeando tristeza sem fim.

Pelos gritos estrebucham os gestos
todos fogem em movimentos lestos?
então, alguém grita: - Esperem por mim!

António MR Martins


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=341747

Triste sina - 26Mar2019 22:51:41
Amarrotam os detalhes do pensar
numa amálgama trépida de luz,
incendiando amargos sem sarar
em tudo o que o imo reproduz.

Baralham-se respostas e ilações
na efémera conjectura da voz,
apela-se a tantas concertações
ao acordo desfeito de todos nós.

Suprime-se a certeza ligeira
de modo a não produzir asneira
que resfrie tal desentendimento.

Galgando-se muros ou as montanhas
com tantas trapaças e artimanhas
não nos soltamos de tanto tormento.

António MR Martins


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=341746

Pernoito em ti - 26Mar2019 22:51:41
Pernoito em ti!
No descanso dos dias desencontrados
alfanados de luzes esbatidas,
elícitos pelo madrugar silencioso
onde se escutam arfares tocados,
pelos rimados versos em vão perdidos
no seu aroma breve e delicioso.

Pernoito em ti!
Sob a odisseia do vento passageiro,
perante o luar das descobertas
e as estrelas presentes no desejo,
assim vai correndo o tempo ligeiro,
até à manhã das gentes despertas
ansiando por mais um nosso beijo.

Toquem violinos melodias joviais,
gritos ultrapassem decibéis razoáveis,
os sentidos interajam desiguais
e os sonhos jamais sejam palpáveis.

Pernoito em ti!

De qualquer modo!...

António MR Martins


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=291946

Empatias sem fim - 26Mar2019 22:51:41
Tenho este meu olhar preso a ti
desde que te cruzas neste caminho,
anseio tua nova passagem por aqui
para te poder ver passar bem juntinho.

E prender de novo meu olhar ao teu
num comprido passar de tempo sem fim,
sentindo esse teu calor junto do meu
e permanecendo todos os dias assim.

Nesta esquina onde nos cruzamos
nossos olhares, a gosto, nós trocamos,
assim se recria nosso porto de abrigo.

Aqui levitamos pensamentos ao luar
navegamos nossas paixões neste mar,
esquecendo do mundo o seu perigo.

António MR Martins


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=291945

Que se levante Abril - 26Mar2019 22:51:41
Ante o engodo da fome perdida
secam as veias expostas ao vento?
a frase chave já foi submetida,
mas ao ouvi-la ninguém ficou atento.

Não a escondam no baú das memórias
nem num ficheiro recôndito do PC,
regurgitem e oiçam as histórias
pois quem não sabe é pior do que não vê.

Levantemos a bandeira da nação
da terra morena cantemos a canção!...
Não nos deixemos tombar neste ardil.

A Liberdade já passou por aqui!...
Eu sei do que falo, pois também a senti:
Ora, viva o Vinte e Cinco de Abril !!!

António MR Martins

Pelo 41º aniversário do 25 de Abril ? 2015.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=291944

Força de viver - 26Mar2019 22:51:41
Por singelo debalde ilusório
na ousada espera concedida,
ante efémero fluxo transitório
que trouxe outro enlevo à vida.

Realce espontâneo inolvidável
no âmbito da segurança lógica,
integrando origem questionável
num acervo de sensatez ilógica.

Peremptório facto extrapolado,
contrato, decreto, com valor selado,
frutuoso percurso por fortalecer.

Experimentado rigor competente
relevado pelo sentido da gente,
que, com toda a força, só quer viver!

António MR Martins


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=288677