Poemas

Quem és Tu? - Lua-Mor -

Fecho os olhos
Estás no meu pensamento
Nos meus sonhos
Será que sei quem tu és?

Fecho os olhos
Vejo o teu sorriso
Um olhar, uma imagem
Que me transmite tudo que és.

És tu e só tu que me deixas a pensar
E me pergunto, será que vale a pena recordar?

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=47387

Amores perdidos - José António Antunes -

Com os olhos presos na guilhotina
corro diante dos amores perdidos
vendidos ao preço da indefinição
que nos lambe a paixão surda
e lanço o corpo em retalhos
de memórias fundas, meigas e acres
como os namoros dos poetas
numa novela de ardis venturas
e sonos serenamente amigos do sonho.

Corro, na plena força do desejo
e da saudade náufraga que não visto,
e enfim, corro...
quase me canso e não páro
quase me alcança e não me toca
quase me toca e não me agarra!

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=47386

Migração - José António Antunes -

1.

Em voo lentos,
as sombras ferem nostálgicas,
açoitam as flores sós.
O Outono teme o frio
e os campos murcham,
tornam-se amargos
os músculos,
cansados de serem apenas
o esgar de uma magra colheita
- que a dó ceifam
com ancinhos da idade.

Os homens ignoram a sementeira,
abandonam as trincheiras pobres
e partem no pólen do momento,
em busca da terra nova
... asfaltada de fatídicos destinos.
Tinham na carne
uma rosa-dos-ventos selvagem,
nos planaltos estendem-se
lençóis de lágrimas
no pranto de uma flor
que se despede em mimos de amante.
- o rumo é além.

2.

... Junto ao tempo
ficam os mais débeis
que a migração não anuiu, olvidados
até que sonâmbulos se trucidam
e morram!
Para trás, o silêncio crispado
na boca de um petiz
que grita baixinho
no aceno de uma sedução
numa oração sem anjos.

3.

Partem!
Sem brilho,
de olhar preso ao azul.
Agradecem aos céus
quanta ingratidão a terra deu
e no imo da noite,
Deus dormita-os em seus braços.

4.

À cidade chegam homens em cardume
como núvens fora da jaula
na peugada de um Sol cobarde.
Têm gravado nas faces,
sinais camponeses, da cor do centeio
que se ceifa com as mãos afiadas,
em epidermos de uma fome,
míngua voraz...

Vêm sedentos da sorte
que as colheitas lhes negaram
à idade...
trazem medos calados nas axilas,
suam-nos disfarçados.
Ladeando os corpos virgens,
as avenidas espantam os enamorados
com máscaras de cinismo
e maldades que são crime.

5.

Vêm de muito longe
na plena desarmonia
singelamente,
sem discursos nem oradores...

6.

Entretanto, nos campos
há mulheres plantando a vida,
como se homens fossem.
Pela matina chove,
as fêmeas saem à jorna
e suam no ventre
a subitez de um filho sem pai.
... pela brancura dos bosques
circulam algumas
lavrando outros dias
nas gaivas de um poço
que à sua porta nasceu,
onde antes era insónia vulgar.

7.

É a mão de uma mãe
quem fecunda os pardos verdes,
e torna grávidos os grãos
se sémen dormentes.

Na tribo contam-se os ausentes
à volta de um braseiro
que os mais pequenitos avivam de gemidos
ouvidos jorrar saudosos...
Ousados homens que não voltam
ao sorriso das crias
- são tabu sem tóten.

8.

... Mas a seara vingará sózinha,
entre o joio do Inverno
e o piar de uma criança
que hoje labuta o gesto
num desejo que anseia florir.
Um dia os trigais serão fiéis,
filhos do mesmo arado
em que souberam amar o fruto!

9.

Na maquinal geometria do tráfego
o vício do fácil habitar
continua cobrindo o sono
dos que chegam,
na senda de uma tradição
que se sabe mortal...
é o habitar sem dor,
ou o final de nada serem,
desilusão.

10.

Nos campos pobres,
os velhos falecem na idade,
e na citadina secura dos luares
os homens envelheçem mortos
no ruído da lembrança.
... nas mãos trémulas
uma foto de rostos molhados,
de tantas saudades chorar
o cheiro da terra pura
e o riso dos campos verves
onde um dia foram vivos!





Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=47385

A TI, MEU PAI - IVONE CARVALHO -

A TI, MEU PAI
(Ivone Carvalho)


Teu olhar cansado, meigo e manso,
Teu porte ainda esbelto, corpo ereto,
Tua voz calma, serena e sincera,
Tua eterna compreensão,
Teus conselhos tão presentes,
Tuas mãos qu’inda me afagam,
Tuas palavras em forma de oração...

Revelam tu’experiência da vida,
Fazem me sentir filha querida,
Filha amada, tua menina,
Como tu sempre me chamas,
Tu’eterna menininha,
Tu’experiência me incentiva,
Tua voz, pai, me fascina!

Somos tão próximos, tão iguais!
Tivemos sonhos magistrais,
Alguns não mais acontecerão,
Outros, talvez, inda é tempo,
Muitos, juntos, já vivemos,
Outros, para o céu levaremos,
Mas todos nos deram emoção!

Meu pai, és meu ídolo, meu lema,
Não consigo reter o pranto
quando para ti me dirijo,
Não sei por que, paizinho,
Mas sempre foi assim,
Meu medo de te perder,
sempre me fez sofrer!
Vejo tu’alegria quando me vês feliz,
Esqueces até as tristezas,
quando eu estou presente,
E a Deus agradeço a saúde
do teu corpo e da tua mente.

Tens sempre, para mim, um sorriso
Tão repleto de esperanças,
Falas de tuas preces
como se eu inda fosse criança,
Deito no teu peito e volto a ser menina,
Me encolho quando me abraças
E me sinto pequenina.

Choro quando, sozinhos,
revivemos as lembranças,
Tenho, por ti, só carinho,
És a minha confiança,
Teus cabelos tão branquinhos
Feito mechas de algodão,
Teu olhar interessado esconde tua solidão.

Pois sei do teu sofrimento,
Da dor que sufoca o teu peito,
Mesmo com todos ao lado,
Tens os meninos guardados
E a saudade como alento
Pois, antes de ti, se foram,
Amargurando teu coração.

Fui de ti, homem adulto,
As primas lágrimas que derramaste,
Foi assim que eu nasci
E u’a família formaste,
Essas primas, eu não vi,
Mas, sem dúvida, as senti,
Quando em teu colo me pegaste.

Porém, as que derramaste
Quando teus filhos se foram,
Cortaram meu coração,
e teus olhos marejados,
ficaram então mais cansados
e eu daria minha vida
para não vê-los molhados.

Eu já nem sei, meu paizinho,
O que estou aqui dizendo,
Só sei que é tanto carinho
Que está sim me movendo
Quisera, mais do que filha,
Poder te dar proteção,
A mesma que tu me deste
Segurando minha mão.

Queria arrancar de ti
Essa tua experiência
Pra que tu nunca sofresses,
Não dissesses o que dizes,
Que tua vida já viveste
E só esperas teu fim.

E dizes que junto a Deus
Tens um crédito imenso,
Porque Ele lhe dá vida
Por um tempo tão extenso,
Mas digo, paizinho, te enganas,
Não é tão imenso assim,
Pois queria fosses eterno,
Vivendo sempre pra mim!

Viste crescerem os netos,
Agora vês teu bisneto
E outros tantos hão de vir,
E quero, meu pai querido,
Te cuides e cuides de mim
E saibas que o teu sorriso,
É tudo que se faz preciso,
Pra me veres feliz assim!




Ivone da Conceição Rodrigues Carvalho
07/08/2004



NOTA DA AUTORA:
Sempre tive medo de perder meu pai. Há um ano ele me deixou aqui, sentindo esta saudade imensa, esta vontade de abraçá-lo, beijá-lo, sentir sua proteção e dizer, olhando nos seus olhos, que o amo tanto, tanto, tanto! Mas sei que ele me ouve, me vê e me espera rodeado de anjos e amigos, pertinho de Jesus.



Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=47384

Ponto Cruz - Nanda -

Bordava a preceito
com fios de luz
em pano de linho
a ponto de cruz

Os frutos maduros
silvestres, corados
de um sol que no campo
não se faz rogado

A cesta de encantos
em que me perdi
repleta de flores
como nunca vi

Papoilas fogosas
na barra em redor
termino a toalha
que tenho melhor.

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=47383

SEGREDO MEU - gil de olive -



SEGREDO MEU

Me pertence,

são minhas, são exclusivas,
como as flores das vinhas,
como o bando de andorinhas,
como os ramos e as olivas.

Segredo meu,

como as estrelas do espaço,
como os ventos uivantes,
como a ternura dos amantes,
como os versos que agora faço.

E meu, somente meu,

esse segredo tão profundo,
que ficará durante eras,
como as flores das primaveras,
que vem enfeitar o mundo.

E segredo,

mas não e exposto como o luar,
e invisivel como uma fantasia,
e falo bem pouco nessa poesia,
escondo do sol, e tambem do mar.

Me pertence,

todos os versos de uma canção,
que em segredo tento esconder,
nas nascentes do amanhecer,
nas profundezas do coração.

Me pertence,

o remédio contra a loucura,
o nascimento de uma flor,
a vitamina que rega o amor,
e todas as palavras de ternura.

Segredo meu,

que vou dividir com alguem,
ao ler, esses versos que fiz,
se voce se sentiu feliz,
feliz, ficarei tambem.


GIL DE OLIVE


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=47382

VIVER DE SAUDADE - Anjolatino -

VIVER DE SAUDADE








O dia é longo, muito longo
A noite passa devagar, sem pressa
Nada nem ninguém, está onde devia de estar
Eu não estou aqui, tu não estas aí
Porque a saudade, é um sentimento desesperante
Que descontrola, toda a estrutura emocional
As horas parecem pequenas vidas
Num dia eterno, mudo, que teima em não passar.

A tristeza invade nossos corações
Enquanto nossos pensamentos voam
Ao encontro dos momentos últimos, que passamos
Loucos somos e só por isso sofremos
Porque teimamos nós, em querer estar, onde não estamos
Somos assim, simples seres humanos.

Em que o passado é mais importante, que o futuro
E o presente, que é simplesmente
O momento em que vivemos
Passa a ser apenas, um momento perdido
Porque a saudade é sofrimento
E viver de saudade, não faz sentido
Assim, nosso presente não tem futuro
E o passado que tanto nos faz sofrer
Passa a ser, o mais importante.










Anjo latino
Roterdão
Holanda


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=47381

"O TEU CORPO" - VónyFerreira -

Ouço a musica do teu corpo
de olhos fechados
às apalpadelas.
Arrepio-me...
Excito-me...
E eis que o sinto vibrar
dentro de mim...
como se de repente dançasses
feita lua enlouquecida!
Porque me enfeitiças?
Abraço-me a ti…
e abandono-me!
Nunca sei se o que falo
são meros gemidos audíveis
Que a noite lança aos teus ouvidos
Amo-te cheia de ciumes…!
Para meu desespero
Desconheço se a tua boca
é um morango,
Que eu mordo e como
Ou se o teu corpo é um tango
que me apetece dançar
pela noite dentro...

Vóny Ferreira


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=47380

POR TUA CAUSA - Sandra Fonseca -

Por tua causa
Eu salto sobre o abismo
Na amplidão dos ares,
Corro perigo.
Navego mares imaginários
Imensidão de águas,
Te persigo.

Por tua causa
Eu revolvo as cinzas
Em buscas das chamas antigas,
O rosto de uma Fênix renascida.
Eu acendo estrelas nos olhos,
Na impossibilidade de bebê-las.

Por tua causa
Eu refaço promessas,
Reinvento os sonhos impossíveis,
Num mais de te encantar.
Eu ponho meus pés na lua,
Deito-me nua sobre as brasas
Das tuas fogueiras
Sem me queimar.

Por tua causa
Eu não desisto de sonhar,
Enfrento os medos,
Medonhos,
E os gigantes da alma.
Por tua causa,
E só por tua causa,
Poesia!





Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=47378

[não há palavras proibidas] - Xavier_Zarco -

não há palavras proibidas
nas mãos de um poeta
não há
porque todas as palavras
são pássaros em fogo em suas mãos

que se fodam os versos castrados
nados do servilismo
do comércio
das vinte moedas de judas
traindo o poema
ferindo-o de morte

não há palavras proibidas
nas mãos de um poeta
não há
porque todas as palavras
nascem para ser ditas ser cantadas

até as putas
que se exibem nas dobras do poema
em cujas tetas mamam as metáforas
as luminosas jóias da coroa
ocultas em quarto fechado
bem longe da plebe
merecem o olhar do poeta

não há palavras proibidas
nas mãos de um poeta
não há
porque todas as palavras
são pétalas brilhando para o sol

e digo
que não se vire a cara ao miúdo
que esmola pede à beira da estrofe
nas suas mãos respira o verbo
a palavra fome
e há que dar-lhe espaço
no corpo do poema
que salta para a rua como pedra
contra as vidraças da indiferença

não há palavras proibidas
nas mãos de um poeta
não há
porque todas as palavras
têm no olhar a urgência do parto

e reclamo exijo
que todas as palavras se amotinem
não temam o chicote o capataz
a voz dos bufos dentro das paredes
porque é arma o poema
granada que rebenta nos sentidos
quando as palavras livres esvoaçam

não há palavras proibidas
nas mãos de um poeta
não há
porque todas as palavras
mas todas as palavras são das ruas



Xavier Zarco
www.xavierzarco.no.sapo.pt
www.euxz.blogspot.com
www.xavierzarco.blogspot.com



Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=47377

Painel controlo
  • Email:
  • Palavra-passe:
  • Lembrar dados
  • Ir administração


Torna-te membro

Email:
Últimas Photum
Autores
A Cor da Poesia
Amar e Viver
Anabela Braga
Cometa
Conceição Bernardino
Desequilibrio
Diana Balis
Ensaios poéticos
Euclides Cavaco
Helen de Rose
Ibernise
O Ser do Ente
Palavras Soltas
Paloma SteLLa
Paulo Afonso
Pedras Rubras
Pedro Lopes
Poesinel Niel
Poeticamente
Ricky Bar
Rodinha 26
Talia
Valdevino
Writer
Lar Doce Lar
Luso-Entrevistas
Luso-Comunidades


lusoblogmini.jpg

lusohi5mini.jpg

lusomsnmini.jpg

lusoorkutmini.jpg



Site Oficial
Luso-Poemas - Poemas de amor, cartas e pensamentos
Estatísticas
Visitas (Acum./mês)
10 / 8
 
Visualizações (Acum./mês)
948 / 804