Antero de Quental
A um poeta [por Angela] - 25Jul2007
Antero de Quental:: A um poeta(surge et ambula)
Tu que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno.
Acorda! É tempo! O sol, já alto e pleno
Afugentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares
Um mundo novo espera só um aceno...
Escuta! É a grande voz das multidões!
São teus irmãos, que se erguem! São canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!
Ergue-te, pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/newbb/viewtopic.php?topic_id=710&forum=56
Biografia - Antero de Quintal [por Stacarca] - 25Jul2007
Antero de Quental:: Biografia - Antero de Quintal
1842: Em Ponta Delgada, a 18 de Abril, nasce Antero Tarquínio de Quental. A 2 de Maio é baptizado na Igreja Matriz de S. Sebastião de Ponta Delgada. - 1847: Começa a aprender francês com António Feliciano de Castilho que vive nessa altura na capital açoriana. - 1852: Em Agosto vem com sua mãe para Lisboa, matriculando-se no Colégio do Pórtico, do qual Castilho é director. - 1853: Antero regressa a Ponta Delgada onde em 7 de Julho de 1855 concluirá a Instrução Primária. Em 20 de Outubro desse mesmo ano volta a Lisboa onde frequenta o colégio Escola Académica. - 1856: Inscreve-se como aluno interno no Colégio de S. Bento, em Coimbra. Escreve os primeiros versos que lhe são conhecidos numa carta enviada a seu irmão André. - 1858: Após algum tempo de estudo em Lisboa, com a ajuda de seu tio paterno Filipe de Quental, lente de Medicina, conclui os estudos preparatórios para o ingresso na Universidade de Coimbra, onde se matricula no 1º ano de Direito em 28 de Setembro, sendo admitido a 2 de Outubro. - 1859: Em Abril é condenado pelo Conselho de Decanos a oito dias de prisão por, com outros estudantes, ter tomado parte num acto praxístico - armado de um cacete e com o rosto coberto, «dando grau a caloiros e cortando-lhes o cabelo». Em 24 de Maio é aprovado no acto do 1º ano de Direito. Em Setembro matricula-se no 2º ano de Direito. - 1860: Mora no Largo da Sé Velha, ficando também por vezes em casa de seu tio Filipe de Quental, na Travessa da Couraça. Em Janeiro publica nos Prelúdios Literários «Na Sentida Morte do Meu Condiscípulo Martinho José Raposo». Em Janeiro, Fevereiro, Novembro e Dezembro, também nos Prelúdios, publica «Leituras Populares». Em Março, com Alberto Sampaio, Alberto Teles e outros, dirige o jornal O Académico - Publicação Mensal, Científica e Literária. - 1861: Em Abril participa na fundação da Sociedade do Raio, uma sociedade secreta que se caracteriza por lançar desafios blasfemos a Deus durante a ocorrência de trovoadas. Em O Fósforo, publica um artigo sobre João de Deus: «A Propósito de um Poeta». Em Outubro matricula-se no 4º ano. - 1862: Em 21 de Outubro saúda, em nome da Academia, o príncipe Humberto de Sabóia. - 1863: Em 22 de Julho faz exame e passa para o 5º ano. - 1864: Em 2 de Julho conclui o curso de Direito. 1866: Em Janeiro tenta alistar-se no exército de Garibaldi. - 1867: Em 19 de Agosto embarca para Ponta Delgada. - 1868: Em 31 de Outubro regressa a Lisboa. 1869: Em Julho embarca para os Estados Unidos. - 1871: Em 22 de Maio as Conferências são inauguradas. - 1874: Adoece gravemente em Ponta Delgada. - 1876: Em Maio desloca-se a Ponta Delgada, regressando em Julho a Lisboa. - 1877: No início de Julho faz uma viagem a Paris, onde consulta o Dr. Charcot. - 1878: Entre Fevereiro e Junho hospeda-se em casa de Oliveira Martins, no Porto. - 1880: Em fins de Maio, numa carta a Alberto Sampaio inclui o soneto «Estoicismo». - 1882: Em Maio escreve os sonetos «Na Mão de Deus» e «Evolução». - 1883: Em Maio escreve o soneto «Voz Interior». - 1884: No Palácio de Cristal, no Porto, encontra-se com Eça de Queirós, Guerra Junqueiro, Oliveira Martins e Ramalho Ortigão. Tiram a fotografia do «grupo dos cinco». - 1885: Encontra-se Com Carolina Michaëlis. - 1886: Perto do fim do ano recebe a primeira carta de Wilhelm Storck com sonetos seus traduzidos para o alemão. - 1887: Em 8 de Maio desloca-se a Ponta Delgada. - 1888: Pensa candidatar-se a uma cadeira da projectada Escola Normal Superior. - 1889: Columbano pinta-lhe o retrato que se conserva no Museu do Chiado. - 1890: Em 11 de Janeiro - Ultimato inglês. - 1891: Jantar de despedida, oferecido pelos Vencidos da Vida no Tavares. Em 5 de Junho parte para Ponta Delgada. No dia 11 de Setembro compra um revólver e, às 20 horas, no lado norte do Campo de S. Francisco, suicida-se com dois tiros.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/newbb/viewtopic.php?topic_id=487&forum=56
Pequenina [por TrabisDeMentia] - 25Jul2007
Antero de Quental:: PequeninaEu bem sei que te chamam pequenina
E ténue como o véu solto na dança
Que és no juízo apenas a criança,
Pouco mais, nos vestidos, que a menina...
Que és o regato de água mansa e fina,
A folhinha do til que se balança,
O peito que em correndo logo cansa,
A fronte que ao sofrer logo se inclina...
Mas, filha, lá nos montes onde andei,
Tanto me enchi de angústia e de receio
Ouvindo do infinito os fundos ecos,
Que não quero imperar nem já ser rei
Senão tendo meus reinos em teu seio
E súbditos, criança, em teus bonecos!
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/newbb/viewtopic.php?topic_id=372&forum=56
Mea culpa [por TrabisDeMentia] - 25Jul2007
Antero de Quental:: Mea culpaNão duvido que o mundo no seu eixo
Gire suspenso e volva em harmonia;
Que o homem suba e vá da noite ao dia,
E a homem vá subindo insecto e seixo.
Não chamo a Deus tirano, nem me queixo,
Nem chamo ao céu da vida noite fria;
Não chamo à existência hora sombria;
Acaso à ordem; nem à lei desleixo.
A Natureza é minha mãe ainda ...
É minha mãe... Ah, se eu à face linda
Não sei sorrir; se estou desesperado;
Se nada há que me aqueça esta frieza;
Se estou cheio de fel e de tristeza...
É de crer que só eu seja o culpado!
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/newbb/viewtopic.php?topic_id=354&forum=56
Palácio da ventura [por TrabisDeMentia] - 25Jul2007
Antero de Quental:: Palácio da venturaPALÁCIO DA VENTURA
Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!
Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura…
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!
Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado…
Abri-vos, portas d’ouro, ante meus ais!
Abrem-se as portas d’ouro, com fragor…
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/newbb/viewtopic.php?topic_id=319&forum=56
Nirvana [por TrabisDeMentia] - 25Jul2007
Antero de Quental:: NirvanaNIRVANA
Para além do Universo luminoso,
Cheio de formas, de rumor, de lida,
De forças, de desejos e de vida,
Abre-se como um vácuo tenebroso.
A onda desse mar tumultuoso
Vem ali expirar, esmaecida…
Numa imobilidade indefinida
Termina ali o ser, inerte, ocioso…
E quando o pensamento, assim absorto,
Emerge a custo desse mundo morto
E torna a olhar as coisas naturais,
A bela luz da vida, ampla, infinita,
Só vê com tédio, em tudo quanto fita,
A ilusão e o vazio universais.
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/newbb/viewtopic.php?topic_id=318&forum=56
Oceano Nox [por TrabisDeMentia] - 25Jul2007
Antero de Quental:: Oceano NoxOCEANO NOX
Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,
Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas, vagamente...
Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?
Mas na imensa extensão, onde se esconde
O Inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais...
Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/newbb/viewtopic.php?topic_id=310&forum=56
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