Teresa

SER - teresa - 21Ago2007

Sou o que foi possível ser

Não sou o que queria ser

Deixei que decidissem

Deixei que permitissem

Deixei o tempo passar

Espero com ânsia

Pelo regressar

Sinto falta de

Poder abraçar


Frustrada de quê

Tristeza de quê

Sofro que nem sei

Gostava de ter

Tudo o que se foi

Tudo o que já dei


Amar e não desejar

Pensar e não falar

Querer e não fazer

Sorrir para não chorar


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=15403

Ao meu filho - teresa - 21Ago2007

Tenho uma obra prima

A quem dedico esta rima

A quem dou todo o amor

Sofro com a sua dor

Riu e partilho,

O seu bom humor.



Cheio de sensibilidade

E imaginação

Põe na música e na tela

Tudo o que lhe vai no coração.

Amigo e companheiro

Esta minha obra prima

Vale tudo na vida

Vale mais que todo o dinheiro


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=15546

NOITE DE INSÓNIA - teresa - 21Ago2007

Entro na noite escura,

Longa, traiçoeira do pensamento.

Assolam-me duvidas,

De vida, de afectos.

Emoções, desiusões.

Noite longa, fria.

Tudo se confunde dentro de mim.

O dia teima em não despertar.

Vozes ao longe,

Vislunbram a esperança.

Menina cansada,

Magoada de afectos,

As lágrimas no rosto,

Teimam em cair.

O barulho dos carros,

Veem despertar,

O silêncio da noite

A me ofuscar.

O dia não vem,

A cidade mexe,

As crianças riem

O elevador estremece.

Menina cansada

De emoçoes fraquejadas.

O dia lá vem.

A vida acontece.


Pensamentos rebeldes,

Desilusões de afectos,

Mistura de sonhos

Canções e projectos,

Desfeitos na noite,

Esperançados no dia

Que agora aparece.

Menina cansada.

Magoada na vida,

Sorriso escondido,

Cansada de amar,

Cansada de rir,

Menina perdida,

Na noite da vida.


A noite é longa

A tristeza assola

O dia já espreita

A cidade mexe

Menina sentada

Cansada de amar

Sorriso fácil, vem-me buscar

Pensamentos vagos,

Sentidos nulos,

A esperança reluz

Afectos desfeitos,

Feitos na vida,

Sentida,

Esperança vivida

Num percurso de luz.


A noite já vai..

Pensamento atroz,

Mistura de sonhos,

De sonhos já idos,

Nas tranças castanhas

De tempos perdidos.

Desejos constantes

De amores perdidos

Dos mais difundidos

Menina sentada

Cansada, perdida,

Na noite da vida


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=15532

À ALDEIA DO PIÓDÃO - teresa - 18Ago2007

Casas de negro vestidas

No meio de serras erguidas

Mulheres de negro trajadas

Rostos marcados

De rugas sulcadas.



No regaço

Um molho de couves

Andas pelo campo

Não chamas nem ouves.



Passo apressado

No regresso a casa

Dia terminado

No sonho constante

De rever de novo

O filho emigrante.




Riacho que corres

Com pressa de nada

Chilrear doce

Ouço a passarada.



Pinheiros esguios

Verdes e sombrios

Adoçam a tarde,

O cair da noite

Já trás a saudade.



Olho no além

Vejo mais e mais

Canta o riacho

Cantam os pardais.



Olhar a aldeia orvalhada

Cheirar a terra molhada

Ouvir o rio correr

Pensar no que quero ser.



O cheiro do rosmaninho

Adormecer entre o linho

A serra abraça a aldeia

Num sonho de eterno carinho.



Um quarto arejado

Serviço cuidado

Lençóis de linho bordado

Pela janela

Um eterno quadro

De verde e azul pintado


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=15244

SONHO - teresa - 18Ago2007

Se eu um dia te pegasse

E nos meus braços te levasse

Pelos sonhos da minha mente

Voariamos docemente

Na distancia do universo

Na ternura do regresso

Na simples frase dum verso



Se me deixasses falar-te

Se me deixasses amar-te

Ficarias a saber

Que no mundo dos meus sonhos

Não há lugar à distancia

Nem mora a arrogância.


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=15243

À MINHA MÃE - teresa - 18Ago2007



Maria mãe,

Mulher,

Sorriso rasgado

Jantar preparado

Sofrimento e dor

Num triste passado



Mulher dedicada

Sempre atarefada

De serviço em dia.

A noite já cai,

O medo atormenta

não reages, choras

Gritos comoventes

Perturbam o sono

Dos mais inocentes.

A noite é dia

O sono desperta

Maria mulher,

Só dorme em alerta.

Maria mãe,

Infeliz em dar

Num parto de dor,

Desejado filho

Para o seu senhor.

Frustração em ver

A menina triste.

Sempre em sobressalto

Como viria a ser.



Domingo de festa

Um dia feliz.

Linhos e bordados

Talheres trabalhados,

Pratos bem temperados.

A canja fumega,

Cabritos assados,

Gostos e sabores

De tempos passados.


Na mesa está tudo,

Tudo preparado

Maria servil

Tudo aprimorado.

Doces paladares

Que a infância trás,

Menina com medo

Nunca é capaz,

Nunca é capaz

De ser o que querem,

De fazer igual

Ao que dela esperam



O dia é de festa

O dia é feliz

O fogo crepita

Na lareira e diz

Que o calor humano

É farsa afinal

Depressa se apaga

E volta ao normal.



O pomar das laranjeiras

Está agora destruido

Na casa dos teus cheiros

Um museu foi construido

Sinto-te nas flores do campo

Nos cravos do jardim

Nas águas limpidas do lago

No cheiro do jasmim.

Penso nos teus poemas

Nas histórias que inventavas

Lembro o teu sorriso

E de como me chamavas



Lembro o cheiro forte dos limões

A entrar pela janela

O cesto cheio de nozes

E o bolo de canela.

Lembro a alegria

Das tuas gargalhadas

Os fritos de abóbora

e as frescas limonadas



Já não regas a horta

Já não cantas cantigas

A nogueira está morta

O chão são ortigas

O sino continua a tocar

As tardes adormecem a poente

Os pássaros continuam a cantar

A água corre limpa na nascente.


Apoio constante

Amor sem parar

Na doença e fim

Partiste para sempre

Deixáste a saudade

Na menina enfim

Que te quis amar

Que te deu de mim.

Sonho contigo

Falo de ti

Conto histórias

Que me contaste

Sorrio ao pensar

No teu sorriso

Choro ao pensar

Que me deixaste.


Porque choras então

Porque gritas dentro de mim

Cala a amargura da tua voz

Liberta o sorriso doce

Dos teus lábios

E as flores

Do infinito do teu jardim


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=15242

Tenho pena - teresa - 17Ago2007

Tenho pena

Mas tenho mesmo que ir

Não há gente boa

Não há gente má

Há gente que está

Gente que não está

Eu estou

Ou não estou

Sei lá!



Tenho pena

Mas tenho mesmo que ir

Não vou discutir

Preciso é de partir

Para onde não sei

Para onde os pássaros me entendam

Para onde não haja lei

E os rios transbordem

Com as lágrimas que chorei


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=15205

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